A ciência tem buscado na engenharia genética e nas células-tronco caminhos promissores para impulsionar a pecuária moderna, permitindo o desenvolvimento de bovinos com maior resistência térmica e novas ferramentas para a reprodução assistida.
O impacto do estresse térmico na pecuária
O desafio climáticos afeta de maneira severa a criação de animais em regiões tropicais e subtropicais, especialmente raças de origem europeia como Angus e Holandesa, que possuem alta sensibilidade às altas temperaturas e à umidade.
Segundo Camargo, o estresse térmico pode afetar a fertilidade, reduzir as taxas de concepção, aumentar o intervalo entre partos e prejudicar a produção. Dependendo das condições, também pode interferir em características relacionadas à qualidade dos produtos de origem animal. O problema não se limita às regiões tipicamente tropicais. Áreas de clima temperado, como parte do Sul do Brasil, podem apresentar verões suficientemente quentes para provocar um desconforto.
Para contornar esse problema, pesquisadores buscam elevar a resistência dos animais sem comprometer suas características produtivas essenciais. “É trazer um melhoramento para esses animais, fazer com que eles melhorem sua capacidade de tolerar temperaturas mais elevadas. É claro que não vão ser animais totalmente tolerantes ao calor, mas queremos aumentar essa tolerância em relação ao que apresentam atualmente”, explica.
Avanços nas pesquisas com células-tronco
Em outra frente tecnológica, o uso de células-tronco embrionárias bovinas (ESC) abre perspectivas inéditas para a reprodução assistida, com marcos importantes registrados a partir de 2018 na manutenção desses materiais em laboratório.
Essas células apresentam duas propriedades centrais: capacidade de autorrenovação prolongada, permitindo sua manutenção e multiplicação em cultivo, e potencial de diferenciação em diferentes tipos celulares, “o que faz dessas células ótimas candidatas para uso em reprodução”, indica Denicol.
A capacidade de autorrenovação, continua ela, é importante pois permite estudar e manipular essas células em laboratório. Já o potencial de diferenciação abre possibilidades para a obtenção de células especializadas.
O objetivo futuro é viabilizar a produção de gametas diretamente em laboratório. “Isso depende da diferenciação das células-tronco em óvulos e espermatozoides, que poderiam ser utilizados na fertilização in vitro sem precisar produzir um animal”, comenta a geneticista.
Debate internacional em Mato Grosso do Sul
Todas essas inovações científicas serão detalhadas no I SIMFertCorte – Simpósio Internacional de Reprodução e Fertilidade em Gado de Corte, marcado para os dias 15 e 16 de outubro de 2026, em Campo Grande (MS), reunindo especialistas nacionais e internacionais no auditório do Sistema Famasul.








