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Cena rara: jacaré é visto devorando outro no Pantanal de MT

Especialistas analisam o registro de canibalismo feito por um guia de turismo em Poconé durante período de escassez alimentar.

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VÍDEO: jacaré é flagrado com corpo de outro na boca no Pantanal de MT; biólogo explica canibalismo

Um registro impressionante na região de Poconé, situada a 104 km de Cuiabá, chamou a atenção para o comportamento predatório no Pantanal mato-grossense. Um jacaré foi filmado atravessando uma lagoa com o corpo de um animal menor da mesma espécie preso entre as mandíbulas, uma cena que evidencia a dura disputa pela sobrevivência na natureza.

O registro do canibalismo O flagrante foi feito pelo guia de turismo e fotógrafo de vida selvagem Marcos Halem Félix, profissional que monitora a fauna local há mais de duas décadas. Nas imagens, é possível observar o predador nadando entre outros exemplares da espécie enquanto carrega a carcaça.

Segundo o guia, o período atual do ano contribui para eventos como este, uma vez que a disponibilidade de alimento nas lagoas diminui drasticamente. Ele explica que os indivíduos menores costumam se manter nas margens para escapar da dominância dos maiores, que controlam as áreas mais profundas.

“Os jacarés grandes ficam na parte funda das lagoas e os pequenos na borda, mais próximos da terra, para evitarem ser comidos. Ainda assim, acontecem episódios como este”, relatou.

Análise biológica sobre o comportamento Embora o registro seja impactante, o biólogo Luiz Eduardo Saragiotto esclarece que o canibalismo não é uma prática habitual entre os jacarés, embora seja biologicamente possível. A agressividade natural e o instinto territorialista da espécie acabam, por vezes, resultando na morte de indivíduos em desvantagem física.

“Esse comportamento não é considerado comum porque não é o hábito principal do jacaré, mas pode acontecer”, explicou.

Fatores que levam ao ataque O especialista ressalta que o ato de comer outro jacaré não é, necessariamente, uma estratégia de caça primária. Muitas vezes, a morte ocorre por disputas territoriais ou de acasalamento, e o consumo da carne surge como uma oportunidade subsequente.

Além da disputa por fêmeas durante a época reprodutiva, o estresse ambiental e a escassez de recursos podem desencadear confrontos fatais. O episódio no Pantanal reforça como a dinâmica de poder entre esses répteis é constante, mantendo o equilíbrio da cadeia alimentar local através de interações que, embora raras, fazem parte do ciclo selvagem.

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