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Candidatos à Presidência devem firmar pacto nacional por reformas

Especialista aponta que os primeiros 100 dias do próximo governo exigem foco no combate às causas estruturais dos problemas econômicos.

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Um pacto dos candidatos para consertar o Brasil

Os principais postulantes ao Palácio do Planalto precisam firmar, antes do pleito, o compromisso de encabeçar um acordo nacional para reestruturar o país. Essa empreitada exige a participação conjunta do governo federal, do Congresso Nacional, da sociedade civil, do empresariado e da imprensa, cabendo a cada ator uma parcela específica de responsabilidade.

O desafio de ir além dos sintomas

O Brasil sofre há décadas com patologias conhecidas, como juros elevados, encarecimento do custo de vida, endividamento das famílias, dificuldades corporativas para investir e o endividamento estatal contínuo. Setores como indústria, comércio e agropecuária enfrentam barreiras e riscos pesados que drenam os ganhos de quem produz. Historicamente, administrações sucessivas limitam-se a aplicar medidas paliativas — renegociando débitos, criando programas habitacionais, expandindo subsídios e ofertando crédito facilitado. Tais ações auxiliam a população, mas falham por negligenciarem as causas estruturais.

Embora seja indispensável manter o suporte a quem mais precisa por meio de auxílios e aposentadorias, a dependência estatal contínua gera vulnerabilidade fiscal. O mercado de trabalho reflete essa fragilidade: no trimestre encerrado em agosto, 37,5% dos ocupados estavam na informalidade, indicador que atinge quase quatro em cada dez cidadãos, conforme dados do IBGE. Além disso, o envelhecimento demográfico pressiona as contas públicas, com previsão de R$ 1,2 trilhão em benefícios previdenciários no orçamento de 2027.

Ajuste fiscal e controle de gastos

O equilíbrio das contas públicas constitui o primeiro passo fundamental. A proposta orçamentária para 2027 projeta um superávit primário de R$ 18,6 bilhões, margem considerada estreita diante de um cenário em que os juros nominais do setor público superaram R$ 1,1 trilhão nos 12 meses encerrados em julho. O cenário exige cortes em despesas obrigatórias, eliminação de privilégios, redimensionamento da máquina pública e revisão de benefícios tributários sem retorno comprovado.

Estímulo à produção e ao emprego formal

Outra prioridade reside na diminuição do custo para contratação formal, combatendo os encargos trabalhistas sem suprimir direitos e viabilizando a proteção social sem inflacionar a dívida pública. A desburocratização, a melhoria na infraestrutura e a contenção da insegurança jurídica também mostram-se vitais para baratear a produção na cidade e no campo. Com taxas de juros elevadas, as aplicações financeiras frequentemente superam a atratividade dos investimentos produtivos, impondo um obstáculo extra ao empresariado.

Um plano consistente, acompanhado por metas fiscais transparentes e critérios rigorosos para revisão de gastos, deve ser apresentado logo no início da gestão. O sucesso dessa travessia depende da disposição do Congresso em votar pautas impopulares e da renúncia a privilégios setoriais, garantindo que o interesse nacional sobrepuje as conveniências particulares.

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