Cinco pessoas foram presas e seis servidores públicos acabaram afastados de suas funções durante uma força-tarefa deflagrada na última quarta-feira (28), em Sinop, cidade localizada a 500 km de Cuiabá. A ofensiva policial e ministerial investiga um suposto esquema ilícito voltado a fraudes em processos construtivos e licenciamentos imobiliários no município.
Alvos da operação
Entre os detidos na ação estão engenheiros civis, funcionários da prefeitura e uma representante do mercado imobiliário. Os nomes divulgados pelas autoridades incluem Fernando Dante Morari, que atua como engenheiro civil e servidor público municipal, além de Júlio Henrique Verdu Garcia, que acumula as mesmas funções.
O grupo de presos também conta com o servidor público municipal Valdinei Monteiro da Silva, o engenheiro civil Agnaldo Rael da Silva e a corretora de imóveis Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, que é sócia da empresa Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.
Modus operandi investigado
Conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o foco da apuração recai sobre suspeitas de exigência e repasse de propinas. Os pagamentos ilícitos teriam como objetivo garantir tratamento favorecido na tramitação de expedientes, elaboração de pareceres técnicos, validação de projetos e liberação de alvarás e licenças.
As apurações indicam que as práticas ilegais teriam ocorrido em um intervalo que vai de 2017 a 2026. Além das detenções, os agentes cumpriram ordens de busca e apreensão direcionadas a 17 alvos, recolhendo espécie e itens de elevado valor econômico de empresários sob suspeita. As diligências também miram possíveis pressões e manipulações em fiscalizações coordenadas pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação.
Bloqueio de R$ 80 milhões
Como desdobramento das medidas cautelares, o Poder Judiciário decretou o congelamento de R$ 80 milhões em patrimônio e valores pertencentes a um grupo de investigados e a uma corporação.
Adicionalmente, houve a determinação de sequestro de ativos financeiros até o teto de R$ 3 milhões para cada um dos demais investigados, bem como a retenção de propriedades ligadas a um dos alvos. As audiências de custódia dos cinco suspeitos ocorreram na própria quarta-feira (28), ficando os pleitos das defesas sob análise nos autos centrais do processo.








