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Idoso é condenado a 30 anos por matar esposa a facadas em MT

Crime ocorreu após 35 anos de união; réu reagiu à notícia da morte da vítima dizendo “Graças a Deus”.

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Idoso é condenado a 30 anos de prisão por matar esposa esfaqueada durante discussão em MT

Um idoso foi condenado a 30 anos e 10 meses de reclusão pelo feminicídio da esposa, Ivaldete Coutinho de Oliveira Polesello, de 58 anos, em Sorriso, município localizado a 420 km de Cuiabá. A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri, que reconheceu que o assassinato ocorreu em um cenário de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Provas e histórico de ameaças apresentados pela acusação

Durante o julgamento, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) demonstrou que a vítima sofria constantes ameaças e enfrentava barreiras para romper o relacionamento de aproximadamente 35 anos. Em fevereiro do ano anterior ao crime, Ivaldete chegou a sair de residência e passou cerca de 15 dias abrigada na casa da filha, mas retornou após forte insistência do agressor. Ela acabou sendo assassinada a facadas no dia 8 de maio na própria residência do casal, em um ataque conduzido pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino.

Entre os elementos probatórios expostos no plenário, destacou-se um boletim de ocorrência registrado pela vítima em junho de 2013, no qual ela relatava o plano de deixar o lar para escapar de desfechos mais graves, apontando que o medo das intimidações a havia paralisado antes. O depoimento de uma das herdeiras do casal também atestou a continuidade das pressões psicológicas ao longo do tempo.

A dinâmica do crime e a reação do réu

O ataque brutal aconteceu no quarto da residência situada no bairro Benjamin Raiser. O neto do casal, um adolescente de 14 anos, encontrou a avó gravemente ferida e pediu socorro imediato. O Corpo de Bombeiros encaminhou a vítima ao Hospital Regional de Sorriso, mas ela não resistiu aos ferimentos provocados por mais de dez perfurações de faca no tórax, abdômen, costas e braços, morrendo em decorrência de hemorragia interna e externa.

Após o homicídio, o autor lavou a arma branca, fugiu de automóvel e confessou o crime a um funcionário e a uma das filhas antes de ser localizado pela Polícia Militar escondido em uma residência na região, onde foi preso em flagrante. Um dos depoimentos mais marcantes do julgamento foi o de um policial militar, que detalhou a frieza do réu ao saber do óbito da esposa: Segundo o agente, o réu respondeu: “Graças a Deus”.

Contexto e repercussão do feminicídio

Reconhecida como pioneira no município de Sorriso, Ivaldete recebeu homenagens póstumas da prefeitura, que decretou luto oficial de três dias para lamentar a perda e exaltar sua importância para o desenvolvimento local. O episódio reacende o alerta para a necessidade de denúncias e uso de ferramentas de proteção, como o aplicativo estadual SOS Mulher MT e os mecanismos previstos pela Lei Maria da Penha.

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