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Presidente do TCE-MT dorme no Bope após prisão

Audiência de custódia manteve a detenção de Sérgio Ricardo e de outros cinco alvos da Operação Tomada de Contas nesta quinta-feira.

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Sérgio Ricardo passará a noite em cela no Bope

O comandante do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, pernoitará nesta quinta-feira (29) em uma dependência do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), situado na capital cuiabana. Alvo da Operação Tomada de Contas deflagrada pela Polícia Federal, o conselheiro teve sua custódia preventiva confirmada durante sessão de apresentação à justiça realizada no período vespertino.

Prisões e alvos da operação As detenções dos demais cinco suspeitos investigados no mesmo inquérito também foram preservadas pelas autoridades judiciais até o momento.

Além de Sérgio Ricardo, foram presos o consultor jurídico-geral do TCE, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia; a chefe de gabinete da Presidência, Roseli Loss; os servidores Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke; e Adriangelo Barros Antunes.

Esquema de corrupção investigado O grupo é apontado pelas autoridades policiais como parte central da engrenagem voltada a repasses ilegais e movimentação financeira paralela dentro da corte de contas.

Os fatos são apurados sob suspeita de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo a decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a estrutura teria divisão de tarefas entre o comando administrativo, a articulação jurídica e financeira, os saques e o transporte de dinheiro em espécie.

Folha paralela As investigações detalham a existência de uma “folha paralela”, mecanismo pelo qual conselheiros e funcionários teriam recebido quantias milionárias à margem da folha salarial oficial.

A análise bancária citada na decisão aponta que Sérgio Ricardo recebeu R$ 15,44 milhões entre janeiro e 22 de outubro de 2025. No mesmo período, foram identificados 150 saques em espécie em suas contas, que somaram R$ 15,64 milhões.

Grhegory aparece como o maior destinatário individual dos pagamentos analisados, com R$ 32,31 milhões. Segundo o documento, imagens examinadas pela PF mostram o consultor colocando blocos de dinheiro em uma mochila após a preparação do numerário por uma funcionária da agência bancária.

A investigação também apura se a suspensão de contratos administrativos, sob justificativa de contenção de despesas, foi utilizada para pressionar fornecedores a devolver parte dos valores recebidos do TCE.

Decisão judicial e afastamentos Para decretar as medidas extremas, o relator destacou perigos concretos de reiteração delitiva, ocultação de bens e obstrução na coleta de provas durante o inquérito.

Ao decretar as prisões, Og Fernandes apontou riscos de continuidade das condutas, ocultação de patrimônio e interferência na coleta de provas. O ministro considerou insuficientes outras medidas cautelares para os seis investigados.

A decisão também afastou os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar e impôs restrições a outros investigados, incluindo o ex-conselheiro Valter Albano. As suspeitas permanecem sob investigação.

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