O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, e outros cinco investigados na Operação Tomada de Contas tiveram as prisões preventivas mantidas pela Justiça nesta quinta-feira (29). Após passarem por audiência de custódia, os detidos começaram a ser transferidos da sede da Polícia Federal, em Cuiabá, para unidades prisionais da região metropolitana.
Sérgio Ricardo deverá ser encaminhado ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), na capital. Já os assessores jurídicos que possuem inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) serão levados ao Centro de Ressocialização Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, onde terão direito a uma acomodação separada dos presos comuns, conforme as prerrogativas legais aplicáveis.
A chefe de gabinete Roseli Loss será encaminhada à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. O secretário executivo Adriangelo Barros Antunes também está entre os presos.
As prisões foram determinadas pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, irregularidades em contratos administrativos e pagamentos a servidores do TCE-MT.
Saiba quem são os seis investigados presos
Além do presidente Sérgio Ricardo de Almeida, foram presos o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva, o assessor jurídico Felipe José Glinke, a chefe de gabinete Roseli Loss e o secretário executivo Adriangelo Barros Antunes.
A Polícia Federal aponta a existência de um suposto esquema organizado para movimentar recursos públicos por meio de pagamentos irregulares, contratos administrativos e retiradas frequentes de dinheiro em espécie.
Investigação identifica movimentações milionárias
De acordo com as informações levantadas pela Polícia Federal, foram identificadas movimentações financeiras consideradas suspeitas que somam aproximadamente R$ 75,85 milhões em um intervalo de 294 dias, ao longo de 2025.
As apurações indicam que o presidente Sérgio Ricardo recebeu cerca de R$ 15,44 milhões em suas contas bancárias em menos de dez meses. No mesmo período, a remuneração oficial informada para o conselheiro foi de aproximadamente R$ 288,5 mil.
Outras movimentações atribuídas a investigados também chamaram a atenção dos policiais. Conforme os dados analisados, o consultor jurídico Grhegory Maia movimentou R$ 32,31 milhões, enquanto Gustavo Fernandes teve créditos de R$ 15,89 milhões e Felipe Glinke, de R$ 9,93 milhões.
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A investigação também identificou movimentações de R$ 10,64 milhões relacionadas ao conselheiro Guilherme Maluf.
Os valores são analisados pela Polícia Federal para esclarecer a origem dos recursos e verificar possíveis relações com pagamentos realizados pelo Tribunal. As movimentações, isoladamente, não comprovam a prática de crimes.
Suspeita de pagamentos irregulares e saques em dinheiro
Uma das linhas de investigação aponta que a administração do TCE-MT teria utilizado a suspensão de contratos como mecanismo para pressionar fornecedores e favorecer determinadas empresas.
Segundo a apuração, contratos teriam sido interrompidos sob a justificativa de restrições orçamentárias, apesar do crescimento dos recursos disponíveis para a instituição.
O orçamento do Tribunal passou de R$ 763,8 milhões em 2023 para R$ 826,3 milhões em 2025. Os investigadores apuram se a suspensão seletiva de pagamentos foi utilizada para exigir vantagens indevidas de empresas contratadas.
Outra frente investiga um suposto sistema paralelo de pagamentos, no qual recursos destinados ao funcionamento da Corte teriam sido movimentados de maneira irregular.
Conforme os documentos da investigação, Sérgio Ricardo realizou 150 saques em espécie, que somaram aproximadamente R$ 15,64 milhões. A maior parte das retiradas teria ocorrido diretamente no caixa de uma agência bancária localizada nas dependências do Tribunal.
A Polícia Federal também apura movimentações envolvendo Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes, suspeitos de participar da retirada e circulação de valores em dinheiro.
Diante dos indícios identificados, o STJ autorizou medidas de bloqueio e sequestro patrimonial que podem alcançar R$ 145 milhões em bens relacionados aos investigados.
Conselheiros e servidores são afastados
Além das seis prisões preventivas, a Justiça determinou medidas cautelares contra outros integrantes do Tribunal de Contas.
Entre os conselheiros atingidos estão Guilherme Antônio Maluf, José Carlos Novelli, Alisson Carvalho de Alencar e Valter Albano da Silva, este último aposentado.
As determinações incluem afastamento de funções, restrições de acesso às dependências e sistemas do Tribunal, proibição de contato com determinados servidores e medidas de bloqueio patrimonial.
Outros servidores que ocupam funções administrativas, financeiras e jurídicas também estão entre os investigados.
Dinheiro, relógios e veículos de luxo são apreendidos
Durante a Operação Tomada de Contas, a Polícia Federal apreendeu grandes quantidades de dinheiro em espécie, incluindo notas de reais, dólares e euros, além de mais de 30 relógios de luxo, dois veículos de alto padrão e bebidas de elevado valor comercial.
As buscas foram realizadas em endereços ligados aos investigados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Ao todo, mais de 180 policiais federais participaram da operação, que cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão.
O valor total dos bens e do dinheiro apreendidos ainda não foi divulgado.
Em nota, o TCE-MT informou que adotará as providências necessárias para cumprir as determinações judiciais e garantir a continuidade das atividades administrativas.
A defesa de Sérgio Ricardo informou que ainda não havia tido acesso integral aos fundamentos da prisão e orientou o investigado a permanecer em silêncio.
As investigações continuam para esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados, além de identificar possíveis responsabilidades no suposto esquema. Até o momento, não há condenação definitiva dos investigados.
Da Redação Nortão MT – Micheli Cristina








