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Eleições nos EUA e o impacto nas exportações do agro brasileiro

Renovação no Congresso norte-americano exige atenção estratégica do setor produtivo nacional antes do anúncio de novas tarifas.

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O agro brasileiro precisa olhar para o Congresso norte-americano

Embora a Casa Branca costume atrair todas as atenções quando o assunto é o comércio entre Brasil e Estados Unidos, a origem de decisões cruciais para as exportações nacionais está em outro poder. O agronegócio do país precisa direcionar seu foco para o Legislativo norte-americano, onde comitês, audiências e associações setoriais moldam as políticas públicas que impactam diretamente a competitividade externa.

Renovação no Congresso americano

No dia 3 de novembro, os Estados Unidos realizam eleições legislativas que colocam em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. O pleito define as maiorias nas duas Casas para o próximo biênio, redesenhando a liderança dos comitês que influenciam as regras do comércio internacional.

Durante uma missão recente a Washington, uma das agendas ocorreu no Comitê de Ways and Means da Câmara dos Representantes, especificamente com representantes do Subcomitê de Comércio. Esse colegiado detém jurisdição sobre tarifas, alfândegas, práticas de importação, medidas antidumping, acordos comerciais e barreiras que afetam diretamente o planejamento de cafeicultores, pecuaristas e indústrias frigoríficas.

Participação antecipada e defesa de interesses

O monitoramento da capital norte-americana vai muito além de acompanhar decretos presidenciais. Um exemplo claro foi a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas brasileiras, que exigiu análise prévia de mais de 360 manifestações escritas e o depoimento de 77 testemunhas antes de qualquer definição em julho.

No cenário global, as tarifas e restrições não surgem do dia para a noite. Quando o anúncio oficial ganha as manchetes, concorrentes, empresas e governos já acumularam meses ou anos de articulação, produção de dados e construção de narrativas. É justamente nessa etapa prévia que o agro nacional ainda precisa ampliar sua presença e influência.

Desafios para a diplomacia agrícola

Apesar da alta produtividade nas lavouras e da sofisticação de suas entidades representativas, o setor enfrenta um ambiente comercial global cada vez mais fragmentado e politizado. A utilização de regulações e tarifas como ferramentas econômicas exige uma atuação internacional robusta, capaz de identificar quem assessora legisladores e quais debates podem se converter em barreiras comerciais.

As mudanças decorrentes das eleições legislativas alteram o ritmo, as prioridades e os interlocutores em Washington. Atualmente, as relações bilaterais envolvem simultaneamente o Congresso, órgãos reguladores, o setor privado, think tanks e debates acalorados sobre segurança econômica e desenvolvimento sustentável.

A principal lição deixada pela capital americana é que a competitividade internacional ultrapassa os limites da porteira ou dos portos. Proteger o fluxo comercial exige atuar onde as regras começam a ser desenhadas, garantindo que o setor produtivo antecipe os movimentos antes que eles se transformem em restrições oficiais.

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