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Dessalinização é a nova aposta da CNI para a indústria brasileira

Estudo apresentado em São Paulo aponta que a tecnologia reduz riscos operacionais e garante a continuidade da produção fabril.

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CNI defende dessalinização para reforçar segurança hídrica da indústria

A dessalinização da água do mar surge como um mecanismo fundamental para mitigar vulnerabilidades operacionais, assegurar a manutenção das linhas produtivas e elevar o patamar de sustentabilidade do parque industrial nacional. O apontamento faz parte de um levantamento inédito revelado pela Confederação Nacional da Indústria durante um evento corporativo focado em recursos hídricos na capital paulista.

O documento aborda o panorama atual da inovação, os dispêndios financeiros para instalação, as repercussões ecológicas e as alternativas de crédito disponíveis para blindar o suprimento de água nas fábricas.

Entenda o processo de purificação hídrica A conversão da água salgada em recurso próprio para consumo e atividades fabris ocorre principalmente por meio da Osmose Reversa. O procedimento força a passagem do líquido por barreiras especiais que filtram o sal e componentes dissolvidos.

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto de Oliveira Muniz, a segurança hídrica tornou-se um fator estratégico para a competitividade industrial.

“Para a indústria, a água deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma variável estratégica, que define onde se investe, como se produz e se a operação resiste a uma crise. Reúso e dessalinização são respostas concretas de adaptação à mudança do clima”, afirma.

Impactos econômicos da escassez de água O gerente de Recursos Naturais da CNI, Mário Cardoso, reforça que o insumo atua diretamente na fabricação de mercadorias e em etapas como refrigeração e limpeza. A interrupção no fornecimento gera reflexos em toda a cadeia de valor.

“Quando a fábrica para, quem sente primeiro é o trabalhador, depois a cadeia de fornecedores e o município”, afirma. A instabilidade também encarece a gestão corporativa devido ao uso de caminhões-pipa e reservas emergenciais.

Eventos climáticos extremos e o PIB O debate sobre o tema ganha urgência diante do avanço de intempéries severas. Dados oficiais apontam que desastres climáticos impactaram a maioria dos municípios brasileiros na última década, gerando perdas bilionárias e ameaçando milhões de postos de trabalho a longo prazo.

Desafios regulatórios superam os custos Embora a energia elétrica ainda represente uma fatia significativa dos gastos operacionais, os especialistas apontam que o maior entrave não é financeiro, mas burocrático.

“A tecnologia já está madura e já funciona no Brasil em algumas situações. O custo de operação para a indústria já é competitivo e existe financiamento pelo Fundo Clima no BNDES. O que falta é segurança jurídica. Não temos regras nacionais claras para o licenciamento das usinas, nem para o descarte da salmoura”, aponta.

Iniciativas e viabilidade no país Grandes complexos produtivos e concessionárias de saneamento já implementam projetos de dessalinização em estados como Espírito Santo, Ceará, Rio Grande do Norte e São Paulo, demonstrando a eficácia e a viabilidade econômica do modelo em território nacional.

Com o avanço das discussões sobre adaptação climática, a indústria busca consolidar novas frentes de captação e reúso para assegurar o desenvolvimento econômico sustentável nas próximas décadas.

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