A trajetória vibrante de Maria Alcina é o foco do documentário “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina”, obra que integra a Mostra Retratos do Festival do Rio 2026. Com direção e roteiro assinados por Elizabete Martins Campos, a produção retrata a essência festiva e irreverente da cantora mineira de 77 anos, natural de Cataguases (MG).
Origens e revelação musical
O longa acompanha o retorno da artista às suas raízes em Vila Minalda, bairro de sua cidade natal, onde teve os primeiros contatos com a música através da mãe lavadeira e do pai músico. A narrativa detalha sua formação vocal nos tempos de colégio, no coral do Santuário de Santa Rita de Cássia e nas jornadas de trabalho em uma fábrica. Revelada inicialmente na boate carioca Number One — a única que acolheu seu estilo expansivo na época —, a intérprete alcançou projeção nacional em 1972 ao interpretar “Fio maravilha”, de Jorge Ben Jor, no Festival Internacional da Canção.
Superação e momentos difíceis
Diferente de produções anteriores, o filme equilibra a energia contagiante da artista com relatos sobre os desafios de sua carreira. A obra aborda o período de censura enfrentado após o lançamento de seu segundo álbum, em 1974, além de fases de desânimo e depressão. Para se manter ativa no cenário artístico durante períodos de baixa visibilidade, ela atuou como jurada em atrações televisivas de auditório, garantindo proximidade com o público antes de seu retorno marcante com o disco “De normal bastam os outros”, lançado em 2013.
Trilha sonora e legado
A atmosfera sonora da produção é enriquecida por arranjos inéditos de Yuri Queiroga, incorporando faixas de discos recentes como “Espírito de tudo”, tributo ao repertório de Caetano Veloso. O documentário consolida Maria Alcina como uma das maiores expressões da liberdade tropicalista, provando que sua alegria e seu estilo singular resistem ao tempo.








