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Como a música afeta o desempenho físico e qual o ritmo ideal para o treino

Especialistas explicam a relação entre o BPM das canções, a percepção de esforço e o impacto cerebral durante a atividade física.

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Pop? Rock? Sertanejo? O que ouvir durante a atividade física e como a música interfere na performance?

A escolha da trilha sonora perfeita para acompanhar a rotina de exercícios vai muito além do simples entretenimento. Um levantamento conduzido em 2009 pelo pesquisador Costas I. Karageorghis aponta que a playlist adequada ajuda o relógio a correr mais rápido, auxilia o esportista a encontrar seu compasso, atenua a sensação de exaustão e eleva o astral.

A ciência por trás do ritmo e do cérebro

Para Karageorghis, o grande segredo reside nas batidas por minuto (BPM), já que cada faixa de esforço cardíaco exige uma quantidade específica de batidas para que o ritmo biológico dialogue com a cadência sonora. No entanto, deixar os fones em casa não significa comprometer os resultados da rotina de malhação.

O professor Sérgio Gregorio da Silva, Diretor do Centro de Educação Física e Desportos da UFPR, detalha:

“A música pode dar ânimo, tornar o exercício mais agradável e ajudar a manter o ritmo. Mas esquecer o fone não significa perder o treino. Nos nossos estudos, vimos que a música pode modificar tanto a maneira como a pessoa se sente quanto o ritmo que ela escolhe para se exercitar”.

Do ponto de vista neurológico, a musicoterapeuta Cléo Monteiro França Correia, do Setor de Neurologia do Comportamento e da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, esclarece que o fenômeno ocorre porque a canção estimula a neuroplasticidade e aciona circuitos sensoriomotores.

“As batidas musicais podem promover benefícios psicológicos, físicos e na frequência cardíaca, desviando a atenção da pessoa em relação ao esforço físico empregado e promovendo motivação e o desejo de melhorar os hábitos de vida.”

Os profissionais concordam que a trilha sonora modifica a forma como o praticante lida com o cansaço.

“Na realização do exercício sem música, a pessoa pode perceber sinais de desconforto com mais intensidade, enquanto que, com música, ela pode ter sua atenção voltada mais para o estímulo auditivo, tornando a realização da atividade mais prazerosa, mesmo que mantenha a regularidade dos movimentos e o esforço físico. Isso porque a música melhora o estado de humor e a motivação”, complementa Cleo.

A especialista ainda reforça:

“Os sinais de fadiga não são eliminados, mas a música promove uma sensação de bem-estar, desviando a atenção da pessoa em relação ao esforço físico empregado”.

O papel do BPM nas diferentes modalidades

Apesar de não existir um padrão único aplicável a todos os indivíduos, investigações conduzidas por Sérgio Gregorio da Silva indicam que o andamento musical consegue interferir na pulsação quando dita o compasso dos gestos na ginástica aeróbica.

Para caminhadas, o ideal gira entre 100 e 130 BPM, combinando com faixas como “Don’t Start Now”, de Dua Lipa, e “Poker Face”, de Lady Gaga. Já na corrida, buscando uma cadência de 160 a 180 passos por minuto, recomendam-se canções na mesma faixa ou na metade dela, a exemplo de “Blinding Lights”, do The Weeknd, e “Já faz tanto tempo”, de Lulu Santos com Fresno.

No ciclismo, para 70 a 90 rotações por minuto, indicam-se trilhas de 70 a 90 BPM ou o dobro (140–180 BPM), como “I wanna be sedated”, dos Ramones, e “Dog days are over”, de Florence + The Machine. Em treinos intervalados de alta intensidade (HIIT), não há uma marca numérica definitiva, priorizando-se mensagens estimulantes como “Born to Run”, de Bruce Springsteen, e “Run the World”, de Beyoncé. Na yoga, a escolha varia entre melodias suaves ou o silêncio absoluto.

Preferências nacionais e a energia do som

A personalização emocional e o gosto individual acabam prevalecendo sobre as tabelas matemáticas. Dados recentes da Maximum Boxing revelam que o pop lidera a preferência nacional nas academias com 56,2%, seguido pela música eletrônica (42%), rock/metal (35%) e sertanejo (31,2%), destacando nomes como Alok, Anitta e Henrique e Juliano.

O produtor musical e compositor Hitmaker reforça que a carga energética de uma obra supera os números frios das batidas por minuto.

“Independentemente do BPM, a energia que aquelas músicas causam na gente por causa da letra, dos instrumentos e da variação rítmica é o que importa”.

Fazendo uma ponte entre os palcos e os espaços de musculação, ele sugere começar o aquecimento com sons mais cadenciados e intensificar o ritmo na metade da série. O artista também acrescenta com humor:

“O clima da playlist importa. Se eu acordo numa segunda-feira sem querer treinar, não quero lembrar de problemas, não quero lembrar da ex. Eu quero, assim: vamos viver, favela chegou. Acorda, dá três tapas na cara e vamos para o treino.”

Em última análise, seja por meio da matemática dos batimentos ou pelo resgate de memórias afetivas, a melodia atua como uma barreira contra a monotonia e um elo com a vitalidade do próprio corpo, como resume Hitmaker:

“O principal é você conseguir se sintonizar com você mesmo, achar a música que toca você, o esporte que toca você, e o teu BPM da vida. O importante é a gente não ficar parado.”

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