O mercado global de terras raras enfrenta uma bifurcação sem precedentes nos preços internacionais, impulsionada por rigorosos controles de exportação adotados pelo governo chinês e que promete transformar permanentemente as cadeias de suprimentos globais.
A divisão no mercado global Especialistas reunidos em um fórum internacional na capital britânica revelaram que o óxido de disprósio negociado em armazém em Rotterdam atingiu US$ 4.500/kg, enquanto o valor FOB na China ficou em US$ 1.265/kg. Essa disparidade de 1.700% reflete o impacto direto das restrições comerciais impostas por Pequim.
Apesar de a dependência ocidental na mineração ter recuado de 97% em 2010 para 69% atualmente, o setor de refino e a produção de ímãs continuam fortemente concentrados na China, que hoje detém 84% dessa etapa downstream.
A estratégia industrial chinesa A geopolítica dos minerais críticos mudou radicalmente desde a última crise de oferta em 2010. A participação da economia chinesa no PIB global subiu de 9% para 16%, enquanto as exportações de carros de passeio saltaram exponencialmente nas últimas décadas.
Estatísticas alfandegárias demonstram que o país asiático passou a reter a matéria-prima e priorizar a exportação de produtos de maior valor agregado, como ímãs permanentes, maximizando os lucros e limitando o acesso externo.
Novas demandas tecnológicas Além da eletrificação tradicional, a corrida global por insumos estratégicos ganhou força com o avanço da inteligência artificial e da indústria de defesa. Os data centers e os semicondutores avançados exigem materiais de altíssima pureza, gerando uma disputa geopolítica acirrada.
Diante desse cenário de fragmentação e volatilidade nos preços, analistas reforçam que os países ocidentais precisam investir urgentemente na diversificação de fontes e na segurança de suprimento a longo prazo.








