O cantor Zé Renato se prepara para subir ao palco da casa Manouche, no Rio de Janeiro, em 30 de outubro, para um espetáculo dedicado a resgatar a trajetória de um dos compositores mais injustiçados da música brasileira: Newton Mendonça. Acompanhado pelo quarteto Conexão Rio, o artista busca tirar das sombras o nome que foi pilar fundamental na construção da obra de Tom Jobim.
O legado de Newton Mendonça
A relação entre Newton Mendonça e Tom Jobim pode ser comparada, em termos de importância e subestimada visibilidade, à parceria entre Vadico e Noel Rosa. Falecido precocemente aos 33 anos, vítima de um infarto, Mendonça deixou uma marca indelével na música popular. O show, intitulado “NewTom – Uma visita ao repertório de Newton Mendonça e Tom Jobim”, ganha contornos especiais por coincidir com o marco de 70 anos de vida e 50 de carreira de Zé Renato, um dos nomes mais respeitados da música nacional desde sua atuação no grupo Boca Livre.
Os pilares da Bossa Nova
A colaboração entre a dupla foi responsável por criar o DNA do gênero que conquistou o mundo. É de autoria deles o icônico “Desafinado”, que funcionou como uma verdadeira carta de intenções da Bossa Nova ao ser gravado por João Gilberto. Além disso, o repertório conjunto inclui o emblemático “Samba de uma nota só”, esboçado em 1954 e lançado em 1960, e o standard internacional “Meditação”.
A trajetória da parceria
Os caminhos dos dois compositores se cruzaram em 1952, na boate carioca Posto Cinco. No ano seguinte, a primeira parceria a chegar aos ouvidos do público foi “Incerteza”, na voz de Mauricy Moura. Com o passar dos anos, nomes como Sylvia Telles ajudaram a consolidar canções como “Foi a noite”, “Caminhos cruzados” e “Discussão”. O catálogo completo da dupla, que também engloba faixas como “Brigas” e “Só saudade”, revela uma sofisticação melódica e lírica que se alinha perfeitamente ao estilo interpretativo de Zé Renato.
O espetáculo conta com arranjos do grupo Conexão Rio, formado por André Cechinel, Fernando Barroso, Fernando Clark e Zé Mario, prometendo um olhar renovado sobre composições que, embora fundamentais, ainda buscam o devido reconhecimento histórico que o centenário de nascimento dos autores, em 2027, certamente ajudará a ampliar.








