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Nuvem de andorinhas surpreende moradores em Cuiabá; entenda o caso

Espetáculo natural ocorre diariamente no final da tarde, atraindo milhares de aves em busca de alimento no período de chuvas.

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VÍDEO: nuvem com milhares de andorinhas sobrevoam condomínio em Cuiabá em busca de alimento

Moradores do bairro Jardim Tropical, em Cuiabá, têm acompanhado um impressionante fenômeno natural há mais de um mês. No final de cada tarde, o céu da região é tomado por uma imensa nuvem de andorinhas que realiza voos sincronizados sobre os condomínios residenciais. O comportamento, registrado em vídeos que circulam nas redes sociais, mostra milhares de aves sobrevoando os edifícios em busca de abrigo e alimento antes do anoitecer.

Rota migratória e ocupação urbana

O movimento das aves faz parte da rota migratória anual de espécies como a andorinha-grande (Progne chalybea), do gênero Progne. Essas aves deixam regiões mais frias do hemisfério norte para buscar refúgio em áreas do continente sul-americano. Segundo especialistas, a presença das aves em áreas residenciais é reflexo do crescimento das cidades.

O professor Dr. João Batista Pinho, do Laboratório de Ecologia de Aves da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), detalha a magnitude do evento:

“Esses bandos chegam com facilidade a 20 mil, 30 mil indivíduos, ou até mais. É uma migração que acontece todos os anos. Antigamente, a passagem era mais evidente em áreas abertas como o Belvedere e o Jardim Universitário. Com o crescimento urbano e a ocupação da cidade, as aves acabam passando por novos bairros residenciais”, pontua o ornitólogo.

O papel das chuvas no ecossistema

A presença das aves na capital mato-grossense está diretamente ligada ao início do período chuvoso, que funciona como um gatilho ecológico. A umidade provoca a revoada de insetos, como os cupins alados, garantindo uma fonte de alimento abundante para o bando em trânsito.

“Com a chegada das chuvas, temos um verdadeiro boom de insetos. Para as andorinhas, esses cupins são extremamente nutritivos e de rápida conversão energética. Elas aproveitam para descansar, se alimentar e acumular gordura corporal para ter força e prosseguir a viagem até o sul do Brasil”, explica o especialista.

Diferença entre visitantes e residentes

Enquanto as andorinhas migratórias utilizam Cuiabá como um ponto estratégico para repor energias e seguir rumo ao sul do país, as aves nativas da região possuem um comportamento distinto. Para as espécies que residem no Mato Grosso, a fartura de alimento serve de estímulo para o início dos ciclos reprodutivos, diferentemente das visitantes, que estão apenas de passagem.

A permanência dessas aves na cidade é temporária e deve durar apenas enquanto as condições climáticas e a oferta de insetos forem favoráveis. Assim que a fonte de alimento diminuir e o bando estiver devidamente nutrido, o grupo retomará sua jornada migratória.

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