Cinema feito por jovens ganha destaque no Rio
A 11ª edição do Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC) teve início neste domingo (18) e segue até o dia 24 de outubro, celebrando a criatividade de crianças e adolescentes no audiovisual. O evento, que ocorre em diversos pontos do Rio de Janeiro, como o Teatro Municipal Carlos Gomes e o Jardim Botânico, exibe 68 produções selecionadas entre 467 inscrições de 41 países e dez estados brasileiros. As obras, que incluem documentários, ficções e animações, são assinadas por realizadores de 8 a 17 anos.
Protagonismo e olhar crítico
O grande diferencial do festival é colocar o jovem no centro da narrativa, não apenas como espectador, mas como autor e avaliador. O júri oficial, composto por crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos, é o responsável por eleger os vencedores.
Carina Ki, integrante do júri, destacou a criatividade e as técnicas utilizadas pelos participantes. Inicialmente, ela imaginava que as produções poderiam ter um caráter experimental por serem realizadas por crianças e adolescentes, mas se surpreendeu com a qualidade dos trabalhos apresentados.
Para Daniela Gracindo, cineasta, produtora, educadora audiovisual e idealizadora do festival, o diferencial está em permitir que crianças e adolescentes contem suas próprias histórias. Segundo Daniela, essa participação fortalece o protagonismo dos jovens e mostra que suas opiniões têm importância, especialmente quando eles próprios são responsáveis por avaliar e escolher os filmes premiados.
Trajetórias que inspiram
O festival é palco para jovens talentos, como Miguel Figueiredo Viglio, de 14 anos, que acumula prêmios nacionais e internacionais com seu curta Circo dos Horrores. Assim como Miguel, Daniel Nini, de 16 anos, utiliza o festival para mostrar os resultados de sua dedicação à escrita de roteiros e edição de vídeos, trajetória que iniciou gravando curtas com o celular.
Diversidade de temas e formação
As obras selecionadas abordam dilemas contemporâneos, como inteligência artificial, crise climática, cyberbullying e relações humanas. Além das exibições, o FIPC promove o intercâmbio cultural com mesas-redondas e workshops, incluindo o Cinema na Sala de Aula, conduzido pela argentina Irene Blei. O projeto busca consolidar o cinema como ferramenta pedagógica e estimular o senso crítico entre os estudantes.
O encerramento oficial ocorrerá no dia 24 de outubro, no Instituto Cervantes, com a cerimônia de premiação e uma homenagem póstuma a Gracindo Jr. Desde sua criação em 2010, o festival já impactou mais de 80 mil pessoas, reafirmando a importância de incentivar a nova geração de cineastas.








