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MT avalia contenção de gastos e plano de demissão voluntária

Com risco de perder R$ 1,5 bilhão na receita, governo quer segurar 15% do orçamento para infraestrutura e focar na eficiência pública.

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Procurador estuda corte de despesas para manter investimentos e não descarta demissões voluntárias em Mato Grosso

Para assegurar o ritmo de aportes em obras estruturantes ao longo dos próximos anos, o governo de Mato Grosso prepara uma revisão detalhada de suas despesas operacionais. A estratégia envolve a elaboração de um diagnóstico administrativo que não descarta a adoção de um plano de demissão voluntária, ainda que a medida não esteja prevista de forma imediata.

Diagnóstico administrativo e prioridades fiscais

A responsabilidade de traçar o panorama da máquina pública foi delegada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao procurador do Estado e ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo. O objetivo central é mapear pontos de economia e planejar o próximo ciclo governamental com maior disciplina orçamentária.

Ao pontuar o momento do estado, Gallo explicou: “Agora, nesse próximo ciclo, a gente precisa fazer uma contenção forte, importante, traçar as estratégias em relação a quais áreas vão ser priorizadas”.

Avaliação sobre plano de demissão voluntária

Entre as alternativas em estudo para desonerar a folha e enxugar despesas administrativas está o desligamento incentivado de colaboradores. De acordo com o procurador, qualquer iniciativa desse tipo dependerá diretamente do retorno orçamentário que apresentar.

“Nada está descartado. Mas isso tudo está à mesa, estamos avaliando e, se fizer sentido, der o retorno esperado, pode ser uma possibilidade”, afirmou.

O coordenador do diagnóstico lembrou que iniciativas similares foram executadas em estatais durante 2025, como no caso da Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI). Naquela ocasião, as regras tiveram como embasamento a Emenda Constitucional Estadual nº 81/2017, a PEC dos Gastos, estipulando critérios como idade mínima de 45 anos e 20 anos de serviços prestados.

No entanto, a equipe econômica ressalta que o mecanismo ainda está apenas em fase preliminar de análise. “Não está na mesa, no curto prazo, fazer isso. Nós estamos analisando e fazendo um diagnóstico de quais medidas são mais adequadas”, acrescentou.

Queda de arrecadação e meta para investimentos

A necessidade de conter despesas também é pressionada por um cenário de retração financeira. Existe a previsão de uma perda de R$ 1,5 bilhão em receitas originalmente destinadas a investimentos, cenário somado às incertezas trazidas pelas mudanças da reforma tributária. Os detalhes sobre os prazos dessa queda e os setores afetados não foram divulgados.

“A gente precisa continuar com a nossa trajetória de investimento. Então, onde a gente vai encontrar esse R$ 1,5 bilhão? Nós temos que ser mais eficientes”, declarou o ex-secretário.

A intenção do governo estadual é manter o patamar de investimentos em 15% da receita corrente líquida. Esses recursos financiam intervenções em aeroportos, pontes, hidrovias, ferrovias e malha rodoviária, além de novas estruturas para a educação, centros de formação profissional e saúde pública.

Gallo sustentou que preservar as obras é indispensável para conservar a atratividade do estado perante novos negócios privados, reforçando que o foco deve ser a entrega de serviços e a otimização dos recursos públicos: “O Estado não precisa ser mínimo; ele precisa ser eficiente. E Estado eficiente é aquele que entrega para a população”, concluiu.

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