A BrasilAgro iniciou o ano-safra 2026/27 com um desempenho financeiro robusto, alcançando um lucro líquido de R$ 81,3 milhões no primeiro trimestre, encerrado em 30 de setembro. O resultado marca uma virada significativa para a empresa, que no mesmo período do ano anterior havia registrado um prejuízo de R$ 64,3 milhões. Esse avanço foi sustentado principalmente pela alienação parcial de uma propriedade rural na Bahia e pela valorização de ativos a receber.
Impacto das vendas de terras no balanço
O destaque operacional ficou por conta da venda de 2,593 mil hectares da Fazenda Rio do Meio, localizada em Correntina (BA), que proporcionou um ganho de R$ 50,8 milhões. Para o CEO da companhia, André Guillaumon, a performance reflete um cenário diferente do ciclo passado, quando a falta de transações de ativos afetou o resultado. Ele afirmou ainda que a diversificação geográfica ajuda a distribuir riscos climáticos e favorece a negociação de propriedades.
A receita líquida total da companhia apresentou um crescimento de 16%, atingindo R$ 351,7 milhões. Já o Ebitda ajustado total subiu 47%, somando R$ 94,6 milhões. Contudo, ao isolar o efeito da venda de terras, o Ebitda ajustado operacional registrou queda de 32%, totalizando R$ 43,8 milhões.
Desempenho das commodities e margens
O segmento agrícola enfrentou desafios, especialmente nas margens de soja e milho. A receita operacional, excluindo a venda de fazendas, recuou 1%, para R$ 300,9 milhões. De acordo com a empresa, a queda no Ebitda operacional foi influenciada por uma mudança negativa no resultado com derivativos e pelo aumento de despesas operacionais.
Na cultura da soja, a receita caiu 7%, com uma margem bruta que passou de 30% para 27%, pressionada por custos mais elevados. No caso do milho, embora o volume comercializado tenha quase triplicado, a margem bruta despencou de 20% para 2%. A companhia explicou que cerca de 45% do volume vendido sofreu com custos maiores de colheita devido a ataques de pragas.
Contexto financeiro e dividendos
O cenário financeiro foi beneficiado por uma reavaliação positiva de valores a receber vinculados à soja, elevando o resultado financeiro para um ganho de R$ 37,6 milhões. Além disso, a dívida líquida ajustada da BrasilAgro apresentou uma redução de 51% ante junho, situando-se em R$ 136,3 milhões.
Com uma carteira de R$ 626,2 milhões a receber por propriedades já negociadas, a empresa confirmou o pagamento de R$ 30 milhões em dividendos, correspondendo a R$ 0,3012 por ação, com início em 16 de novembro.









