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Mercados de apostas eleitorais geram alerta nos Estados Unidos

Plataformas como Polymarket e Kalshi ganham espaço na mídia e levantam suspeitas de manipulação e desinformação.

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Polymarket e Kalshi: por que apostas sobre as eleições preocupam especialistas nos EUA?

As eleições legislativas dos Estados Unidos acontecem em um momento de expansão dos chamados mercados de previsão, plataformas nas quais os usuários podem apostar dinheiro em possíveis resultados de acontecimentos, incluindo disputas eleitorais. O uso dessas plataformas em eleições, porém, preocupa especialistas pelo risco de disseminação de informações falsas e de interpretações equivocadas sobre os resultados das urnas.

Riscos de desinformação nas eleições

Especialistas alertam que os percentuais exibidos nessas plataformas podem ser interpretados como resultados praticamente garantidos, embora representem apenas estimativas. Há também situações em que grupos políticos tentam influenciar essas probabilidades. Se o resultado das urnas for diferente do indicado pelos mercados de previsão, alguns eleitores podem interpretar essa divergência como indício de fraude, mesmo que ela não represente uma irregularidade.

Plataformas como Polymarket e Kalshi permitem que usuários negociem contratos cujo valor depende de resultados eleitorais. Apesar do crescimento desse mercado, pesquisas indicam que a maioria dos americanos é contrária à realização de apostas sobre eleições. No Brasil, a oferta de contratos vinculados a resultados eleitorais está proibida desde maio de 2026, com o bloqueio dessas marcas após resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).

As probabilidades divulgadas pelas duas plataformas também passaram a aparecer na cobertura de grandes veículos de comunicação, ampliando a presença dos mercados de previsão no noticiário eleitoral. “Elas se tornaram cada vez mais parte de como os americanos entendem as eleições”, diz Davina Hurt, diretora de ética governamental do Centro Markkula de Ética Aplicada da Universidade de Santa Clara. “Estamos chegando a um ponto em que as expectativas dos mercados financeiros têm mais peso na mente do público do que os votos”, acrescenta.

Debate regulatório e a defesa das empresas

Os mercados de previsão estão se popularizando nos EUA, mas ainda enfrentam disputas judiciais sobre quais regras devem seguir, pairando a dúvida entre a regulação como mercados de commodities ou leis sobre apostas. A Kalshi afirma que as informações oferecidas por sua plataforma são diferentes das apresentadas pelas pesquisas eleitorais tradicionais e reconhece que as probabilidades divulgadas não garantem que determinado resultado vá se concretizar, apontando que tentativas de manipulação tendem a ser neutralizadas pelos demais usuários.

“A Kalshi deve ser vista como um complemento às pesquisas tradicionais”, disse à AFP Elisabeth Diana, diretora de comunicação da plataforma.

Apesar disso, Hurt ressalta que as estimativas podem ser confundidas com resultados definidos, especialmente com a divulgação nas redes sociais. “Uma alta probabilidade não é uma promessa (…) Quando uma previsão acaba se revelando errada, isso não significa que a escolha tenha sido equivocada. No entanto, as pessoas vão interpretar dessa maneira”, diz Hurt.

O caso de Los Angeles e novas regras

Um episódio ocorrido em junho, nas eleições primárias para a Prefeitura de Los Angeles, mostrou como as probabilidades dos mercados podem ser confundidas com os resultados das urnas. Após a derrota do republicano Spencer Pratt, influenciadores de direita fizeram acusações de fraude, citando estimativas das plataformas que indicavam chances de o candidato avançar para a eleição geral, gerando conteúdos pagos com informações falsas na rede social X.

“A primária de junho mostrou como as expectativas sobre uma eleição podem ser confundidas com os resultados”, disse Michael Sánchez, porta-voz do Escritório de Registro Eleitoral do Condado de Los Angeles.

Em resposta, a Kalshi emitiu um documento orientando seus parceiros a não questionarem resultados oficiais sem provas, sob pena de rompimento de contrato, enquanto a Polymarket não se manifestou. Autoridades como Jared DeMarinis, administrador eleitoral em Maryland, expressaram forte preocupação com a segurança e lisura do pleito frente ao apelo financeiro. “Agora simplesmente se jogou mais gasolina ao envolver dinheiro nisso. O que menos se quer é que se coloque em dúvida a legitimidade do resultado”, afirmou.

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