O Google confirmou que planeja expandir a exibição de anúncios comerciais em seu Modo de Inteligência Artificial para o Brasil, o México e o Reino Unido nos próximos dois meses. A iniciativa integra o plano da gigante tecnológica de reformular sua publicidade para atender às buscas conversacionais, nas quais os internautas realizam questionamentos mais complexos e detalhados.
Estratégia de expansão global
A novidade foi divulgada por Shashi Thakur, vice-presidente e gerente-geral do Google Ads, por meio de um comunicado oficial publicado no blog da companhia. O formato publicitário já opera em dez nações, abrangendo Austrália, Canadá, Índia, Quênia, Malásia, Nova Zelândia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Cingapura, com previsão de chegada ao território brasileiro até o encerramento do ano.
De acordo com o executivo, o Modo IA registra buscas cerca de três vezes mais longas em comparação ao modelo tradicional de pesquisa. Essa característica possibilita que o sistema compreenda com maior precisão o objetivo do usuário, exibindo propagandas de marcas e serviços diretamente conectadas à demanda apresentada.
“Nossas pesquisas mostram que as pessoas se sentem confortáveis com anúncios no Modo IA e os acham altamente relevantes”, afirmou Thakur.
O representante da empresa destacou ainda que o índice de cliques nos links patrocinados já se equipara ao desempenho dos resultados orgânicos de produtos, que aparecem nas listagens sem investimento financeiro prévio.
Novos formatos e identificação
No mercado norte-americano, a organização está implementando os chamados anúncios multiturno. Essa modalidade é capaz de inserir publicidade em questionamentos complementares realizados durante a mesma sessão de diálogo com a inteligência artificial, acompanhando a evolução da conversa e sugerindo itens pertinentes às dúvidas surgidas.
A empresa garantiu que todo o material promocional será devidamente sinalizado com a etiqueta “Patrocinado”, enquanto novos formatos continuam em fase de testes para assegurar utilidade e relevância ao consumidor.
Impacto financeiro e mercado
A chegada da publicidade com IA ao Brasil acontece em um cenário de exigência financeira sobre a Alphabet, controladora da empresa, motivada por receios do mercado acionário em relação ao faturamento publicitário e ao encarecimento da infraestrutura de inteligência artificial.
Na última quinta-feira (29), os papéis da corporação sofreram uma desvalorização de 11,7%, chegando a registrar baixa de 12,6% durante o pregão após a publicação de um balanço trimestral visto como frustrante. O recuo decorreu de receitas publicitárias aquém das projeções e de despesas elevadas com inteligência artificial.
O reflexo dessa retração atingiu Wall Street, provocando queda superior a 1% no índice Nasdaq. Analistas e acionistas seguem avaliando se os pesados aportes financeiros em tecnologias inteligentes conseguirão gerar retorno financeiro compatível com os custos operacionais das gigantes do setor.








