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Crédito rural: a urgência por recursos além do orçamento no papel

O setor produtivo exige que o governo alinhe a liberação de verbas ao calendário da safra, evitando prejuízos causados pela burocracia.

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O campo não pode esperar pelo dinheiro do Ministério da Fazenda

O produtor rural brasileiro comparece às urnas com uma pauta de reivindicações clara e urgente: a necessidade de políticas agrícolas que acompanhem a realidade do campo. Independentemente do porte da propriedade, o setor enfrenta gargalos que vão desde a escassez de crédito e juros elevados até a falta de infraestrutura logística e insuficiência de seguros. A expectativa é que os candidatos eleitos garantam que os recursos previstos no orçamento cheguem à ponta no momento exato em que a lavoura precisa.

Instrumentos existentes e o desafio da execução

O Brasil já possui um arcabouço de apoio ao campo, incluindo crédito rural, mecanismos de comercialização, garantia de preços mínimos e subvenção ao seguro. O problema não é a falta de ferramentas, mas a viabilização do orçamento para que elas operem plenamente. Embora existam programas de equalização de juros e suporte ao escoamento da produção, o montante disponível muitas vezes não é suficiente ou não é liberado com a agilidade necessária. A falta de investimento em armazenamento e logística, por exemplo, agrava as perdas de renda e a vulnerabilidade do agricultor frente às oscilações de mercado.

O conflito entre a burocracia e o calendário agrícola

A questão central reside na incompatibilidade entre o tempo político em Brasília e o tempo biológico da produção. Sobre a gestão financeira, Miguel Daoud, comentarista de Economia e Política do Canal Rural, afirma: “O ministro da Fazenda olha o conjunto das contas públicas. Precisa conciliar saúde, educação, Previdência, investimentos e tantas outras despesas. Essa responsabilidade existe e precisa ser respeitada.”

No entanto, o especialista ressalta que essa lógica macroeconômica ignora as particularidades do setor: “Mas a agricultura tem prazos que não se ajustam à espera de uma negociação em Brasília. O plantio tem sua janela. A colheita concentra a oferta. A prestação vence em uma data determinada.”

Autonomia e responsabilidade na gestão

Para o setor, é fundamental que o Ministério da Agricultura tenha maior autonomia para gerir os recursos dentro das regras estabelecidas, evitando que o produtor perca oportunidades de financiamento ou proteção. Miguel Daoud complementa: “Defendo que o governo e o Congresso estabeleçam, no orçamento, um volume de recursos compatível com as necessidades dessas políticas, acompanhado de um calendário de liberação. Dentro dos limites aprovados e das regras de cada programa, a Agricultura precisa ter condições de decidir e executar com rapidez.”

A Frente Parlamentar da Agropecuária desempenha um papel crucial ao pressionar por transparência e prazos definidos. O objetivo é que o apoio ao campo deixe de ser uma promessa genérica e passe a ser um compromisso com metas financeiras claras. Afinal, como aponta o comentarista: “Enquanto Brasília discute a liberação, a lavoura segue seu calendário e os juros continuam correndo. A demora do governo acaba entrando na conta do produtor.”

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