O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) em conjunto com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) adotou um protocolo rigoroso de vigilância sanitária. A ação preventiva busca isolar o estado de possíveis riscos após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em 18 de outubro, registrado em uma unidade produtora de perus na cidade de Nova Itaberaba, Santa Catarina. Até o presente momento, nenhuma ocorrência da enfermidade foi confirmada em granjas mato-grossenses no ano de 2026.
Blindagem sanitária da avicultura
O objetivo central das autoridades locais é impedir a entrada do vírus, que possui alto poder de contágio, protegendo a economia do setor e evitando embargos internacionais. Como medida de controle, a Famato atestou que 84 granjas comerciais no estado foram submetidas a exames laboratoriais ao longo de 2026, com todos os laudos apresentando resultados negativos para Newcastle e influenza aviária.
Para garantir a proteção dos plantéis, o assessor técnico de Pecuária da federação, Marcos Carvalho, recomenda que os avicultores mantenham a vigilância permanente e comuniquem imediatamente qualquer suspeita ao serviço veterinário oficial.
Já a médica-veterinária Caroline Lemes Boursheid, responsável pelo Programa Estadual de Sanidade Avícola, orienta os produtores a notificarem situações fora do padrão, especialmente quando houver mortalidade incomum ou sintomas respiratórios e neurológicos nas aves.
Medidas de controle e estrutura
As diretrizes de biosseguridade envolvem o controle de acesso de veículos e pessoas, desinfecção de maquinários e o confinamento de aves de criação doméstica para evitar o contato com espécimes silvestres. Para operacionalizar essa fiscalização, o Indea conta com uma rede composta por 136 unidades veterinárias distribuídas nos 142 municípios mato-grossenses, mobilizando um corpo técnico de 240 médicos-veterinários.
Contexto das restrições comerciais
Em resposta ao surto em Santa Catarina, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios catarinenses. O cenário gerou restrições comerciais imediatas: México e Malásia suspenderam compras de todo o Brasil, enquanto países como China, Chile e Arábia Saudita aplicaram restrições específicas para produtos originários de Santa Catarina.
No entanto, o impacto para o Mato Grosso é avaliado como restrito. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o México respondeu por apenas 1,59% das exportações estaduais de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026. No mesmo intervalo, Mato Grosso exportou 90,12 mil toneladas, atingindo o maior volume para o período desde 2017.








