O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a substituição da prisão preventiva pela domiciliar para Lorraine Maria Anunciação, alvo de investigações sobre um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Lucas do Rio Verde e municípios vizinhos. A ordem foi assinada pelo ministro Rogério Schietti Cruz após recurso interposto pela defesa da suspeita.
Detalhes da Operação Ragnarok
As apurações fazem parte da Operação Ragnarok, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso ao longo de quase um ano de investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf). Os agentes apontam a existência de uma organização criminosa composta por mais de 50 pessoas com suspeita de envolvimento em delitos como comércio de entorpecentes, porte ilegal de armas e ocultação de bens. Durante as diligências na casa da investigada, as autoridades apreenderam cerca de 10 quilos de cocaína e a quantia de R$ 36 mil em espécie.
Incompatibilidade financeira e movimentação atípica
Os relatórios policiais indicam que a mulher teria movimentado mais de R$ 2 milhões por meio de transações bancárias, contraste acentuado com a sua renda mensal declarada, que era pouco superior a R$ 2 mil. O grupo criminoso utilizava contas de terceiros e uma empresa que funcionava como fachada para burlar o rastreamento do dinheiro oriundo do narcotráfico e da cobrança de taxas impostas pela facção.
Alegações da defesa e decisão do STJ
Inicialmente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) havia negado o pleito dos advogados para revogar a prisão preventiva ou conceder o benefício domiciliar. A defesa argumentou que a Justiça estadual impôs exigências não previstas em lei ao requerer prova de que ela seria a única cuidadora da criança, além de pontuar que a droga apreendida pertencia ao companheiro da investigada. Ao avaliar o habeas corpus, o ministro considerou válida a prerrogativa legal que ampara mães de menores de 12 anos.
Embora o pedido de liberdade total tenha sido rejeitado, a custódia preventiva foi trocada pela domiciliar, condicionada ao uso de tornozeleira eletrônica. A investigada seguirá respondendo perante a Justiça pelos crimes atribuídos a ela no escopo da operação policial.








