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Anne Carson vence Nobel de Literatura 2026: ‘loucos’

A Academia Sueca destacou a inovação da autora canadense, que estava na Islândia no momento do anúncio.

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Anne Carson reage ao Nobel de Literatura: ‘Loucos. Acho que todos estão loucos’

A poetisa canadense Anne Carson foi anunciada nesta quinta-feira (8) como a vencedora do Nobel de Literatura de 2026. A Academia Sueca informou que a escritora recebeu a notícia enquanto estava na Islândia, “ouvindo o vento”.

Reação à premiação Surpreendida pela honraria máxima das letras mundiais, a autora de 76 anos não escondeu o espanto ao conversar com a imprensa local. “Loucos. Acho que todos estão loucos (…). Bom, já sabem, é uma loucura”, declarou Carson à emissora pública islandesa RÚV. A honraria foi concedida à artista em razão de sua “obra audaciosa e inovadora que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”. O valor estipulado para a premiação neste ano é de 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões.

Trajetória e influências Nascida em 1950 na cidade de Toronto, no Canadá, Carson concluiu em 1981 seu doutorado em Estudos Clássicos, defendendo a tese intitulada “Odi et Amo Ergo Sum”. Ao longo de sua trajetória, ela uniu a criação poética com a docência e a atividade de tradução, apontando a etimologia dos termos como a raiz criativa de sua produção. Um dos grandes marcos de sua carreira ocorreu na década de 1990 com o lançamento de “Autobiography of Red: A Novel in Verse (1998)”. Na obra, a escritora dialoga com fragmentos do poeta grego Estesícoro, do século VI a.C., para recontar a história do monstro alado Gerião sob uma perspectiva moderna.

Trabalho experimental e artes visuais A autora também se destaca por explorar formatos literários flexíveis e projetos que transitam por diferentes linguagens artísticas, colaborando com coreógrafos, artistas visuais e diretores cênicos. Exemplos dessa liberdade criativa são “Float” (2016), composto por livretos independentes que dispensam uma ordem fixa de leitura, e “Wrong Norma” (2024), que mistura ensaio e performance.

Obras disponíveis no Brasil Atualmente, o mercado editorial brasileiro conta com oito títulos traduzidos da escritora. O primeiro lançamento no país ocorreu em 2017 com “O método Albertine”, obra que relê “Em busca do tempo perdido”, de Marcel Proust. Outros destaques nacionalmente conhecidos incluem “Autobiografia do vermelho”, “Eros, o doce-amargo”, “A beleza do marido”, “Sobre aquilo em que eu mais penso”, “Falas curtas”, “Antigonick” e “Vidro, ironia e deus”.

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