O aguardado espetáculo Redescobrir vol. 2 marcou a estreia carioca da turnê no palco da casa Vivo Rio, devolvendo à artista o status de grande intérprete que havia ficado em segundo plano devido a escolhas mercadológicas ou momentos desafiadores de sua trajetória recente.
O peso e a leveza do legado materno
Sequência direta do aclamado tributo prestado em 2012, a nova produção coloca a cantora novamente sob a forte influência da mãe, conforme destacou no palco após entoar o clássico “Como nossos pais”. Longe de parecer uma imitação frágil, a presença da figura materna serve como impulso para que a vocalista se engrandeça artisticamente, recuperando a potência vista em seu aclamado álbum de estreia lançado em 2003.
A atmosfera da apresentação ganhou contornos ainda mais marcantes com um bis improvisado a capella de “Romaria”, selando uma noite que reafirmou sua posição de destaque entre os nomes da geração surgida nos anos 2000.
Arranjos inovadores e profundidade musical
Sob a direção musical e arranjos do tecladista Rodrigo Tavares, esta segunda edição supera o projeto original ao trazer um frescor instrumental notável. A inclusão de naipes de sopros, com o trombone de Samuca e o trompete de Vander Nascimento, remodelou a dinâmica de faixas como “Essa mulher” e deu forte balanço aos sambas do roteiro.
Outro ponto alto foi o mergulho profundo em faixas menos comerciais do repertório materno, incluindo surpresas como “Um por todos” e “Jardins da infância”, além de raridades como “Outro cais”.
Afeto familiar e consagração no palco
A conexão com as raízes familiares ganhou contornos reais com a participação de Antonio Baldini, filho da artista e neto que Elis Regina não chegou a conhecer, responsável por tocar violão em uma nova e sensível versão de “Corcovado”.
Amparada por uma banda de altíssimo nível que conta com Jorge Quinho e Pedrinho na percussão, além de Gabriel Quinto na guitarra e violão de sete cordas, a intérprete entrega uma performance irretocável. Com direção visual assinada por Batman Zavareze e um repertório que transita entre o blues, o samba e a MPB tradicional, o espetáculo coroa a artista em sua plena maturidade interpretativa e política.








