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Copom mantém taxa Selic em 13,75% ao ano contra inflação

Incertezas cambiais e o impacto do El Niño levaram o Banco Central a interromper o ciclo de cortes nos juros básicos da economia brasileira.

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Banco Central surpreende e mantém juros básicos em 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a Taxa Selic no patamar de 13,75% ao ano. A medida, que interrompe a trajetória de cortes recentes, foi motivada por um ambiente de maior instabilidade, impulsionado por pressões no mercado de câmbio e pelos efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a economia.

Cenário de cautela na política monetária

Em nota oficial, o colegiado destacou que a inflação segue operando acima da meta estabelecida, com as incertezas econômicas se expandindo nas últimas semanas. O órgão optou por não sinalizar os próximos passos da política de juros, mantendo uma postura de observação.

Sobre o momento atual, o Banco Central afirmou: “O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”.

Impacto nos indicadores e metas

A decisão frustrou parte do mercado financeiro, que projetava uma redução de 0,25 ponto percentual, embora uma parcela dos analistas já considerasse a manutenção como provável. Atualmente, a inflação oficial, medida pelo IPCA, apresenta um acumulado de 12 meses em 4,62%, superando o teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional sob o sistema de metas contínuas.

A gestão da Selic torna-se ainda mais complexa diante da vacância de cargos na diretoria do BC, com os mandatos de Renato Gomes e Diego Guillen tendo expirado sem que o Poder Executivo tenha formalizado as novas indicações ao Congresso.

Reflexos no crédito e no crescimento

A manutenção dos juros em nível elevado atua diretamente no encarecimento do crédito, o que tende a frear o consumo e a produção industrial. Enquanto o Banco Central projeta um crescimento de 1,8% para o PIB em 2026, as instituições financeiras consultadas pelo boletim Focus são levemente mais pessimistas, estimando uma expansão de 1,76%.

O controle da inflação segue como prioridade absoluta. Como a Selic serve de baliza para as demais taxas do mercado, o Copom mantém o rigor monetário para evitar que a pressão sobre os preços se consolide, especialmente diante de um cenário global marcado pela instabilidade no Oriente Médio e desafios climáticos internos.

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