A possível extinção da escala de trabalho 6×1 gera incertezas significativas para o setor produtivo nacional. No agronegócio, o principal receio reside na manutenção de operações ininterruptas, como o manejo de rebanhos e a ordenha de leite, que exigem presença constante, independentemente de feriados ou fins de semana.
Desafios na gestão da mão de obra rural
O tema foi debatido no programa Radar Rural, com a participação do comentarista Miguel Daoud. Durante a análise, ele reconheceu a necessidade de aprimorar as condições laborais no país, mas ponderou que a alteração na jornada não pode ser implementada sem um planejamento econômico que assegure a sustentabilidade das empresas.
“Essa mudança, ela deveria vir acompanhada por medidas que corrigissem as falhas estruturais do Brasil”, afirma o comentarista.
Riscos para a produtividade e preços
A escassez de trabalhadores qualificados já é um gargalo reconhecido pelos produtores. Com a necessidade de readequar escalas ou contratar mais pessoal para cobrir as horas reduzidas, o setor teme uma pressão direta sobre a rentabilidade dos negócios. Caso não haja um aumento correspondente na produtividade, o custo final da produção pode subir, impactando o consumidor.
Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reforçam essa preocupação, estimando que o setor poderia ter redução de 5% na disponibilidade de produtos nas gôndolas em razão da menor oferta de mão de obra.
Necessidade de reformas estruturais
Para além da discussão sobre o tempo de trabalho, o debate aponta para a urgência de resolver problemas crônicos, como a informalidade e a baixa renda. O comentarista defende que, sem investimentos em tecnologia, educação e reformas que desonerem as contratações, o setor corre o risco de perder competitividade. A preocupação central é que, sem ajustes estruturais, a mudança acabe resultando em perda de margem para as empresas e maior vulnerabilidade para os próprios trabalhadores, que podem ser empurrados para o desemprego ou para postos informais.








