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Melhoramento genético faz tilápia ganhar 39% mais peso

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Melhoramento genético faz tilápia ganhar 39% mais peso
Estudos foram desenvolvidos ao longo de 5 gerações de tilápia (Foto: Divulgação/Epagri)

Um programa de melhoramento genético desenvolvido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) fez tilápias ganharem 39% mais peso, segundo os resultados divulgados na última terça-feira, 20 de outubro. O projeto foi realizado ao longo de cinco gerações de tilápia GIFT, linhagem asiática introduzida no estado em 2009.

O engenheiro de aquicultura Bruno Corrêa da Silva, pesquisador do Campo Experimental de Piscicultura de Itajaí (Epagri/Cepit), explica que o melhoramento genético é um trabalho de formiguinha: lento, mas constante e efetivo. “A cada nova geração de tilápia, conseguimos acrescentar um pouco mais de rendimento. Foi assim que chegamos a um peso 39% maior. No momento, estamos trabalhando na sexta linhagem”, adianta Bruno.

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A produção de tilápias em Santa Catarina cresceu 65% na última década, alcançando 50 mil toneladas em 2025. O aumento do desempenho refletiu na rentabilidade do setor. “Hoje temos peixes com crescimento mais rápido, melhor conversão alimentar, maior rendimento de filé e uma adaptação muito melhor às condições climáticas de Santa Catarina, especialmente às temperaturas mais baixas”, atesta Miguel Faust, proprietário da Piscicultura Faust, que produz alevinos em São Ludgero, no Sul do Estado.

A Epagri estima que o impacto econômico do melhoramento genético da tilápia tenha alcançado R$15,8 milhões em 2025 em Santa Catarina e no Paraná, segundo o Balanço Social. O cálculo leva em conta que 100% da tilápia produzida comercialmente no território catarinense é derivada da tilápia GIFT e, consequentemente, das linhagens desenvolvidas pela empresa. No cálculo, a Epagri considera uma contribuição de cerca de 60% no desenvolvimento da tecnologia. 

Referência nacional

Santa Catarina é o quarto maior produtor brasileiro de tilápia, atrás de Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Para Bruno, a posição é relevante considerando o tamanho do território e adversidades como relevo acidentado e clima subtropical. São características que limitam a construção de viveiros escavados, em função da necessidade de grandes áreas planas, e o crescimento das tilápias, que comem menos no inverno.

Ao longo do programa de melhoramento genético, a Epagri se transformou em grande fornecedora de matrizes de tilápia. Desde 2014, a empresa já forneceu mais de 318 mil matrizes para 56 produtores de alevinos de 11 estados. Estima-se que cada matriz produz cerca de mil alevinos por safra. Em Santa Catarina, 90% dos produtores de alevinos utilizam matrizes da Epagri.

“Santa Catarina hoje é uma referência nacional na produção de tilápia, e isso é resultado do trabalho conjunto entre produtores, indústria e instituições de pesquisa, como a Epagri”, afirma Faust. Para ele, a seleção genética desenvolvida nos laboratórios da Epagri contribuiu para maior uniformidade dos lotes e melhor desempenho produtivo, aumentando a rentabilidade para o piscicultor e fortalecendo o setor.

O Estado é destaque na produção de alevinos, ocupando a vice-liderança, atrás apenas do Paraná. O segmento é formado por 12 empresas que atendem todo o mercado catarinense, em torno de 30 mil piscicultores, e ainda comercializam para outros estados brasileiros. “Mais de 90% da produção é de tilápia”, afirma o pesquisador Bruno. Com o objetivo de apoiar a competitividade do setor, a Epagri faz um a cada dois anos para fomentar boas práticas de produção de alevinos.

Tecnologias paralelas

Além do melhoramento genético, outras duas tecnologias da Epagri ajudaram a profissionalizar a tilapicultura em Santa Catarina. A primeira é o desenvolvimento de um sistema de produção, que inclui orientações sobre construção dos viveiros, manejo da água, alimentação, povoamento e despesca, biossegurança e gestão sanitária. Segundo Bruno, o modelo aumenta a eficiência e a sustentabilidade da piscicultura. 

A outra tecnologia é uma tabela de alimentação para tilápias. Ela orienta técnicos e produtores sobre a quantidade de ração diária, levando em conta peso vivo no viveiro, tamanho do peixe e faixas de temperatura da água. Além de trazer ganhos na conversão alimentar das tilápias, a tabela tem potencial para diminuir custos, aumentar a receita líquida e reduzir o impacto ambiental.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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