Angélica Saraiva de Sá, amplamente conhecida como Angeliquinha, passou o período em que esteve foragida na Bolívia desfrutando de uma rotina de alto luxo, que incluiu residência de alto padrão e procedimentos cirúrgicos no rosto, conforme apontado pelas investigações da Polícia Civil.
Luxo e cirurgias na Bolívia
Durante coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (21), o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas detalhou que a suspeita utilizou recursos financeiros vultosos para manter o conforto em Santa Cruz de la Sierra.
“Ela não iria para lá viver uma vida ruim, né? Até por conta da quantidade de valores que ela movimenta. Então ela passou o final de ano numa mansão, ela morava numa casa muito boa lá em Santa Cruz de la Sierra”, afirmou.
Além da moradia sofisticada, a corporação destacou que as feições da investigada sofreram alterações drásticas, levantando a suspeita de que o objetivo principal era burlar o reconhecimento policial.
“O rosto dela está bastante modificado. Pessoalmente, quem conseguiu captar na saída dela das viaturas, viu que está diferente mesmo e eu tenho convicção que ela estava fazendo essas cirurgias não só por estética, mas também por mudança de rosto, porque está muito diferente”, disse.
Conexões com o narcotráfico
A estadia na Bolívia também é apurada sob a ótica do crime organizado. Para a polícia, a cidade escolhida funciona como um ponto nevrálgico para facções brasileiras operarem o envio de entorpecentes.
“Ela estar lá desde a fuga eu vejo como possibilidade grande de haver aí uma necessidade da facção que ela estivesse lá realmente pra realizar ali negociações, movimentação de valores, negociações de drogas em prol da facção criminosa e em prol dela própria, como membro da facção”, afirmou o delegado Victor Hugo.
No âmbito da Operação Showdown, os agentes identificaram que a suspeita gerenciava somas expressivas de dinheiro ilícito gerado pelo tráfico e por esquemas em áreas de garimpo nos municípios mato-grossenses de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.
Esquema financeiro e histórico
O inquérito policial aponta ainda que o grupo utilizava firmas de fachada para ocultar patrimônio e favorecer parentes. O cerco policial busca desmantelar os bens acumulados, o que abrange veículos, imóveis e saldos bancários.
Nascida em 1990, Angeliquinha registrou sua primeira passagem policial aos 16 anos. De acordo com as autoridades, sua ascensão na hierarquia criminosa ocorreu devido à execução de crimes violentos.
“Ela vai adquirindo a confiança de outros membros com a prática sobretudo de homicídios, ali, no comando, vai ganhando a confiança de outros faccionados”, declarou.
Atualmente, a criminosa acumula penas que somam 260 anos de reclusão por delitos como homicídio qualificado, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa, sendo apontada como o principal nome do grupo no norte do Mato Grosso.








