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Boi gordo: mercado desacelera após sequência de recordes na arroba

Compradores adotam cautela no início da semana, mas oferta restrita de animais mantém cotações firmes em várias regiões.

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Após sequência de recordes, mercado do boi gordo perde força no início da semana

O mercado nacional do boi gordo iniciou a semana com um ritmo de negociações mais lento, refletindo a cautela dos compradores após uma sequência de recordes nos preços da arroba. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, que apontou estabilidade nas cotações em diversas regiões do país na última segunda-feira (19).

Postura de espera dos frigoríficos

De acordo com o Cepea, parte dos frigoríficos adotou uma postura de espera, acompanhando o desempenho das vendas de carne bovina durante o fim de semana antes de definir novas compras. Apesar dessa desaceleração nos negócios, os preços continuam firmes, sustentados principalmente pela oferta restrita de animais prontos para abate. Em algumas praças pecuárias, inclusive, foram registrados reajustes positivos de até R$ 5 por arroba.

Cenário em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso

Em Minas Gerais, o mercado apresentou estabilidade em parte das regiões produtoras. No Triângulo Mineiro, os preços permaneceram nos mesmos patamares da última sexta-feira (16), enquanto os compradores aguardavam novos sinais do mercado para definir possíveis ajustes. Já no norte do estado, a menor disponibilidade de animais terminados contribuiu para sustentar as cotações. Nas duas regiões, os negócios ocorreram entre R$ 355 e R$ 365 por arroba. A principal diferença esteve nas escalas de abate, que ficaram mais alongadas no Triângulo Mineiro, variando de oito a 15 dias. Segundo colaboradores do Cepea, esse cenário está relacionado à atuação de grandes frigoríficos, que também recorrem a negociações no mercado a termo para garantir o abastecimento.

Em Rio Verde (GO), a oferta restrita de animais no mercado físico continuou influenciando as negociações. Entretanto, o abate de animais próprios permitiu que alguns frigoríficos alongassem suas escalas. Outros compradores, diante da necessidade de adquirir novos lotes, elevaram as ofertas em até R$ 5 por arroba. Na região, o boi gordo foi negociado entre R$ 350 e R$ 355 por arroba, com escalas de abate variando de sete a dez dias.

Em Rondonópolis (MT), parte dos negócios ocorreu nos mesmos patamares da semana anterior, próximos de R$ 350 por arroba. Também foram registrados reajustes de R$ 5 por arroba para machos e fêmeas, acompanhados de boa liquidez ao longo do dia. As escalas de abate ficaram entre dez e 15 dias.

Desempenho das exportações brasileiras

Além da movimentação mais lenta no mercado físico, os dados parciais das exportações brasileiras de carne bovina apontam redução no ritmo dos embarques em relação ao ano passado. Segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgadas na segunda-feira (19), o Brasil exportou 107 mil toneladas de carne bovina in natura em outubro, com média diária de 9,803 mil toneladas. O volume médio diário ficou quase 33% abaixo do registrado em outubro de 2025. Entretanto, na comparação com setembro deste ano, houve crescimento de 5,48%.

Apesar da redução no volume embarcado em relação ao ano passado, os preços internacionais continuam valorizados. O valor médio pago por tonelada de carne bovina exportada apresentou alta de 12,4% na comparação anual.

Diante desse cenário, o mercado do boi gordo inicia a semana com negociações mais cautelosas, mas sem sinais de recuo generalizado nos preços. A oferta limitada de animais e a necessidade de recomposição das escalas de abate seguem como fatores de sustentação das cotações.

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