O setor frigorífico nacional está intensificando o ritmo dos abates com o objetivo de antecipar as exportações de carne bovina para o mercado chinês, conforme confirmou Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), durante a feira Cal, realizada em Paris.
Cenário de oferta e reservas no mercado chinês
Apesar de o executivo apontar que a procura inicial se mostra promissora, ele pondera que ainda é prematuro antecipar o comportamento futuro dos valores cobrados, tendo em vista o volume expressivo de reservas acumuladas no território asiático.
Perosa explicou que grande parte das companhias do segmento já iniciou a fabricação voltada ao envio externo para o país asiático. No entanto, os armazéns locais contam com mais de doze meses de produto estocado, tornando essencial acompanhar a constância dessa procura ao longo dos próximos 40 a 60 dias para decifrar o panorama comercial.
Avanços nas tratativas com o Japão
Paralelamente às negociações com os chineses, o dirigente abordou os entendimentos para viabilizar o ingresso no mercado japonês, um processo que se arrasta há duas décadas. Segundo ele, os quesitos técnicos foram integralmente cumpridos, restando somente trâmites burocráticos internos do governo nipônico. O executivo também pontuou o esforço oficial em prol da consolidação comercial com a Coreia do Sul e a Turquia.
Obstáculos políticos no acordo com a União Europeia
No que tange ao tratado comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, Perosa avaliou que o entrave vigente possui caráter protecionista e não sanitário. De acordo com sua análise, lideranças políticas europeias impõem barreiras para barrar o ingresso da proteína brasileira, exigindo novas tratativas diplomáticas após a conclusão do período eleitoral no país para destravar o fluxo de mercadorias.








