Um grupo surpreendente de ariranhas conseguiu obrigar uma onça-pintada a abandonar um rio após reagir a uma tentativa de ataque no Pantanal mato-grossense. O registro foi feito na última quarta-feira (14), na localidade de Porto Jofre, situada em Poconé, por um guia turístico e fotógrafo da vida selvagem durante um passeio com visitantes estrangeiros.
O confronto nas águas de Porto Jofre
O protagonista felino do episódio é um macho chamado Makala. De acordo com o relato do profissional que capturou as imagens, o animal avistou os mamíferos aquáticos enquanto subia o curso do rio e decidiu dar a volta para iniciar a perseguição, pegando o bando de surpresa, já que os animais desciam a correnteza sem notar a ameaça iminente.
Antes mesmo do início da interação, o guia havia comentado com os turistas sobre os riscos que o predador encontraria ao cruzar o caminho daquelas espécies.
“Ele deu a volta e foi atrás delas. Mal sabia ele que as ariranhas são conhecidas como as [outras] onças da água e ele que estava no habitat delas. Foi uma surpresa enorme ver que ele teve a coragem de seguir em frente”, contou.
Estratégia de sobrevivência na natureza
Especialistas explicam que o comportamento agressivo em conjunto funciona como um mecanismo de proteção primordial para a espécie. A presidente do Projeto Ariranhas e bióloga, Caroline Leuchtenberger, detalhou ao portal que a convivência comunitária serve justamente para neutralizar riscos impostos por grandes caçadores da fauna local.
“A onça-pintada é o principal predador natural das ariranhas e pode predar inclusive indivíduos adultos. Uma das grandes vantagens das ariranhas é justamente o fato de viverem em grupo, o que permite que elas se defendam melhor”, disse.
Quando há condições favoráveis de reação, os mamíferos se organizam para afastar o invasor e resguardar o seu domínio territorial, desfecho que foi coroado com a retirada do felino da água naquela ocasião específica.
Cuidado com os filhotes e comunicação avançada
Além da autodefesa, a união entre os membros traz vantagens para a manutenção da espécie, incluindo a divisão de responsabilidades na criação da prole nos primeiros meses de vida. A cooperação mútua garante maior taxa de sucesso na criação das novas gerações.
“Os indivíduos se revezam em diferentes atividades, como cuidar, proteger e alimentar os filhotes. De maneira geral, grupos maiores tendem a ter mais sucesso na criação dos filhotes, justamente porque contam com mais indivíduos para compartilhar essas tarefas”, destacou a especialista.
Para manter a ordem e a coesão durante situações de perigo, o bando utiliza um repertório sonoro complexo com cerca de 15 tipos de emissões vocais distintas.
“Nesse episódio com a onça-pintada, por exemplo, elas emitiram vocalizações de alerta e alarme, que ajudaram a organizar o grupo para enfrentar aquela ameaça”, explicou.
Apesar de o encontro entre as duas espécies acontecer de maneira recorrente no ecossistema pantaneiro, flagrantes bem-sucedidos de expulsão do predador através da força conjunta continuam sendo eventos raros documentados por profissionais da área.








