A criação de critérios padronizados e seguros para mensurar o valor de ativos de propriedade intelectual desponta como um dos principais desafios para impulsionar o financiamento da inovação e facilitar empréstimos corporativos no país.
Desafios na avaliação de marcas e patentes
Debatido recentemente em São Paulo durante o workshop Propriedade Intelectual & Financiamento, o tema reuniu representantes industriais e governamentais para discutir como transformar bens intangíveis em garantias válidas para transações financeiras.
O coordenador-geral do INPI, Rodrigo Ventura, apontou que a ausência de metodologias consolidadas impede que esses recursos sejam adequadamente reconhecidos pelos bancos.
“Na hora de pedirem financiamento, o que o banco pede é patrimônio, aval pessoal. Então, ter o INPI, o escritório de propriedade intelectual ao seu lado, na mesa de negociação, com uma estimativa, com um laudo de valor defensável para o seu ativo, é fundamental para que o processo de negociação se desenvolva em bases concretas”, afirmou.
Apesar de a legislação nacional permitir o emprego desses bens como garantia, a barreira técnica para mensurar seu preço de mercado continua sendo o principal obstáculo a ser superado pelas instituições.
Impacto para micro e pequenas empresas
O aproveitamento econômico da propriedade intelectual representa uma alternativa importante para o segmento corporativo de menor porte, que frequentemente carece de garantias físicas tradicionais para apresentar aos financiadores.
Estatísticas do setor mostram que a grande maioria dos titulares de marcas e depositantes de patentes no território nacional é composta por micro e pequenas empresas ou inventores independentes.
“Precisamos cada vez mais sensibilizar os detentores desses ativos de que o que eles têm é um ativo estratégico que tem que ser colocado no centro das suas estratégias corporativas”, afirmou Ventura.
Gestão estratégica e monetização
Especialistas reforçam que a simples obtenção do registro não garante retorno financeiro, sendo indispensável uma administração voltada para a competitividade e para a conversão de conhecimento tecnológico em valor comercial.
Denise Gregory, especialista da CNI, ressaltou a necessidade de fortalecer a exploração econômica desses elementos no mercado.
“Não basta registrar a marca, mas fazermos a gestão estratégica dessa marca para que ela tenha valor, seja percebida como tal dentro e fora da empresa, no mercado. É preciso criar mecanismos que possam realmente fazer com que essa marca seja valorada e sirva como garantia de financiamento, de crédito no mercado”, afirmou.
Por fim, a articulação entre órgãos estatais, o ecossistema de inovação e o setor privado busca estruturar regulamentações e ferramentas metodológicas capazes de consolidar a economia intangível até os próximos anos.








