Santiago Peña foi destituído pelo Senado nesta sexta-feira (6) e colocado em prisão domiciliar; investigação envolve suspeitas de corrupção, tráfico de influência e irregularidades financeiras no Ueno Bank.
O Paraguai vive uma das maiores crises políticas e financeiras de sua história recente. O ex-presidente Santiago Peña foi preso nesta sexta-feira (6 de novembro), poucas horas depois de ser destituído do cargo pelo Senado paraguaio. A detenção foi determinada pelo Ministério Público e está relacionada às investigações sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo o Ueno Bank, instituição bancária que se tornou o centro de um escândalo nacional.
A polícia foi até a residência do ex-mandatário para cumprir a ordem de detenção. Peña permanecerá em prisão domiciliar enquanto as autoridades avançam nas investigações e definem os próximos procedimentos judiciais.
A decisão ocorreu logo após o Senado aprovar o impeachment, encerrando antecipadamente o mandato presidencial. O processo foi motivado por denúncias relacionadas à crise do Ueno Bank, que provocou preocupação entre clientes, investidores e autoridades do país.
Suspeitas de corrupção e irregularidades financeiras
Segundo o Ministério Público paraguaio, Santiago Peña é investigado por suspeitas de lesão de confiança, tráfico de influência e administração em benefício próprio. As autoridades apuram possíveis conflitos de interesse entre o ex-presidente, pessoas próximas a ele e empresas ligadas ao grupo financeiro Ueno.
Um dos principais pontos investigados envolve a aplicação de recursos públicos na instituição bancária. Entre os órgãos citados estão o Instituto de Previdência Social, o Ministério da Economia e entidades binacionais, incluindo Itaipu, empreendimento compartilhado entre Paraguai e Brasil.
Peña já havia declarado participação acionária em empresas relacionadas ao grupo Ueno, posteriormente vendida em 2025. Os investigadores buscam esclarecer se decisões governamentais favoreceram interesses privados e se houve prejuízos aos cofres públicos.
As acusações ainda estão em investigação, e a prisão não representa condenação criminal definitiva.
Novo presidente assume em meio à crise
Com a destituição de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu oficialmente a Presidência do Paraguai. A mudança ocorreu em meio à instabilidade política e à preocupação da população com o sistema financeiro.
O novo governo terá como desafios enfrentar os efeitos da crise bancária, recuperar a confiança dos investidores e garantir respostas aos clientes prejudicados.
A situação também desperta atenção no Brasil, especialmente em Mato Grosso, estado que mantém relações comerciais com o Paraguai por meio do agronegócio e de diferentes setores econômicos.
O caso continua sob investigação e poderá provocar novos desdobramentos políticos e judiciais nos próximos dias.









