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Hackers atacam Binance e banco francês: entenda as diferenças

Enquanto a corretora sofreu um desvio recorde em criptoativos, a instituição bancária teve fundos convertidos para moedas digitais.

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Binance e agora banco francês: como hackers desviaram tanto dinheiro? Entenda as diferenças entre os casos

O setor financeiro global foi abalado por dois grandes ciberataques em um intervalo de menos de uma semana. A Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, registrou um prejuízo de US$ 6,3 bilhões, um valor recorde no setor, enquanto o banco francês Crédit Mutuel Arkéa sofreu um desvio de 100 milhões de euros. Embora ambos os episódios envolvam ativos digitais, as metodologias de invasão e os alvos primários foram distintos.

Mecanismos de invasão distintos

“No caso da Binance, o roubo foi das próprias carteiras de criptomoedas. Já no caso do banco francês, foram roubados recursos financeiros da instituição, que rapidamente foram convertidos em criptomoedas”, explica ao g1 Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação. A conversão imediata para o ambiente cripto é uma estratégia recorrente para facilitar a movimentação de valores entre fronteiras geográficas e dificultar o rastreamento.

O ataque à Binance e a suspeita da Coreia do Norte

No incidente da Binance, investigadores apontam que a invasão pode ter começado pelo comprometimento do notebook de um engenheiro da empresa. A corretora informou: “Nossa equipe de segurança está rastreando todo o caminho do ataque através do computador comprometido, que pode ser o ponto de entrada do incidente”.

Posteriormente, a empresa detectou outros vetores de intrusão. Mark Karpeles, ex-líder da Mt Gox, analisou que os criminosos teriam acessado chaves privadas de carteiras da plataforma. “A Binance parece ter dividido seus ativos em vários sistemas, garantindo que um ataque só possa afetar parte dos ativos, mas mesmo assim um único ataque é uma grande perda”, afirmou Karpeles. Analistas da TRM Labs indicam alta probabilidade de que o grupo TraderTraitor, vinculado à Coreia do Norte, esteja por trás da operação.

O caso do banco Crédit Mutuel Arkéa

Diferente da corretora, o banco francês teve seus sistemas internos acessados para a realização de transferências bancárias convencionais, que foram convertidas posteriormente. A instituição garantiu que as contas de seus clientes permaneceram seguras e sem perdas. O alerta sobre as transações suspeitas partiu da exchange Kraken, que identificou movimentações atípicas de valores elevados vindos do banco europeu.

Ameaças emergentes e Inteligência Artificial

Especialistas alertam que a sofisticação dos ataques é impulsionada pela especialização dos criminosos e pelo uso de novas tecnologias. Sobre o papel da inteligência artificial, Arthur Igreja pontua: “Já existe, há algum tempo, um alerta de que as ferramentas e os modelos de IA poderiam potencializar a atuação desses criminosos. Ela pode ser utilizada para encontrar fragilidades, automatizar tarefas e até aumentar a velocidade da execução de determinadas etapas de um ataque”.

A natureza transnacional desses crimes, que podem ser executados remotamente, amplia o desafio das autoridades. Conforme ressalta Igreja: “Isso também é muito grave, porque pode ser um hacker que está na Coreia do Norte, por exemplo, atacando a Binance. A grande questão é que, onde houver uma fragilidade, muito possivelmente ela será explorada”. Esses eventos ocorrem em um momento de escalada global de ciberataques, afetando inclusive infraestruturas de refrigeração em diversos países europeus.

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