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A corrida da IA gera tombo bilionário nas bolsas e assusta Wall Street

Gigantes da tecnologia perdem quase US$ 900 bilhões após Wall Street cobrar retornos financeiros rápidos sobre os gastos bilionários.

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IA virou um problema para as gigantes de tecnologia? Entenda o tombo bilionário nas bolsas

O ritmo acelerado de aportes financeiros voltados para a inteligência artificial começou a gerar forte apreensão entre os acionistas, que agora exigem respostas concretas sobre a rentabilidade dessas tecnologias.

Queda histórica nas ações da Alphabet Na última quinta-feira (29), a Alphabet registrou um recuo drástico de 12,64% em suas ações após a divulgação dos resultados trimestrais, marcando a maior baixa diária da companhia desde sua abertura na bolsa em 2004. O balanço revelou despesas massivas em infraestrutura e projeções de novos desembarques bilionários, elevando a tensão no mercado.

Dados da consultoria Elos Ayta apontam que essa desvalorização representou uma perda de US$ 493,9 bilhões em valor de mercado em apenas um pregão, superando a metade de toda a bolsa brasileira. O impacto se alastrou rapidamente por Wall Street, arrastando outras gigantes do setor.

Perdas bilionárias em série A Amazon também sentiu o baque com uma retração de cerca de 7%, eliminando quase US$ 200 bilhões de seu valor de mercado. Somadas, Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft viram evaporar cerca de US$ 900 bilhões após a revelação de seus balanços do terceiro trimestre.

O reflexo negativo derrubou os principais índices americanos. O Nasdaq encerrou o pregão em queda de 2,9%, enquanto o S&P 500 recuou 1,8% e o Dow Jones fechou em baixa de 1,1%. Fabricantes de chips, como a Intel, também sofreram baques severos motivados tanto pelo cenário macroeconômico quanto por dificuldades internas de operação.

Bilionários perdem fortunas no processo Como consequência direta do recuo acionário, o patrimônio dos fundadores dessas companhias sofreu uma contração expressiva. Larry Page e Sergey Brin, do Google, viram suas fortunas combinadas caírem US$ 60,7 bilhões, enquanto Jeff Bezos, da Amazon, registrou uma redução de US$ 9,48 bilhões em seus bens.

O mercado cobra retorno financeiro Especialistas apontam que o cerne da questão é a velocidade com que esses recursos se transformarão em lucro líquido.

“O mercado continua confiante na demanda por inteligência artificial, como mostram os resultados crescentes da área de computação em nuvem. Mas os investidores passaram a cobrar mais das empresas: não basta anunciar grandes investimentos em IA, é preciso mostrar que eles estão se transformando em receita e, principalmente, em geração de caixa”, afirma Nickolas Lobo, especialista de investimentos da Nomad.

“São bilhões de dólares destinados a centros de dados, chips e infraestrutura, enquanto a capacidade de transformar tudo isso em receita ainda está sendo construída”, diz Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Novas formas de captação de recursos Para sustentar esse modelo de expansão, as empresas têm buscado alternativas além do caixa operacional, recorrendo à emissão de dívidas corporativas em um cenário de juros elevados.

O debate sobre uma possível bolha tecnológica divide opiniões, com analistas ressaltando que o potencial da inovação é real, mas que os preços atuais podem embutir expectativas exageradas de curto prazo.

“A tecnologia é real, já está sendo utilizada e tem capacidade de transformar diversos setores da economia. O que considero exagerado são algumas expectativas de valorização”, afirma Celso Camilo.

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