A principal plataforma de negociação de ativos digitais do planeta revelou na quinta-feira (29/10) que US$ 6,3 bilhões (R$ 33 bilhões) em recursos foram comprometidos em uma invasão cibernética considerada a maior da história do setor.
Medidas de segurança e cobertura de prejuízos
Embora cerca de metade dos fundos tenha sido bloqueada rapidamente, uma fatia expressiva continuou nas mãos dos criminosos, levando a diretoria a declarar publicamente que “cobrirá todas as perdas”. As averiguações iniciais apontam que o problema teve origem na invasão ao computador de um funcionário, abrindo brecha para transferências ilícitas.
Investigação e conexões internacionais
Especialistas em segurança digital e empresas de inteligência apontam semelhanças com investidas anteriores atribuídas ao grupo norte-coreano TraderTraitor, também conhecido como Lazarus Group. O diretor de segurança da informação da Check Point, Jayant Dave, afirmou que as perdas estimadas pela Binance tornam este o “maior roubo de criptomoedas da história”.
Ari Redbord, chefe global de políticas do laboratório, disse à BBC que o ataque à Binance é um momento sem preconcedentes na indústria. Fundada em 2017 e com mais de 300 milhões de clientes, a companhia acumula mais de US$ 160 bilhões sob custódia e enfrenta constante vigilância de órgãos reguladores globais.
Ações de recuperação e impacto no mercado
No dia seguinte ao incidente (30/10), a empresa anunciou o início da recuperação dos valores e o trabalho conjunto com autoridades para “rastrear, congelar e recuperar fundos adicionais”. A quantia integral de US$ 6,3 bilhões já foi reservada, sendo que parte significativa “já está alocados nos mesmos ativos (tokens) que foram afetados”.
“Essa etapa pode levar mais tempo”, diz a companhia, acrescentando que compartilhará atualizações sobre o progresso “assim que possível”.
As operações de retirada foram paralisadas temporariamente, com previsão de normalização em 45 horas. A Chainalysis reforçou a suspeita sobre o grupo TraderTraitor, enquanto agências internacionais apontam que tais desvios costumam financiar o programa nuclear de Pyongyang.
Esclarecimentos da liderança
A divisão americana da marca, Binance.US, confirmou que não sofreu impactos. O co-CEO Richard Teng detalhou o modus operandi dos criminosos: “Isso deu ao invasor acesso a um ambiente de serviço, onde ele enviou transações de saque não autorizadas”, e acrescentou: “Para que fique claro: o hacker não se limitou a usar as permissões de um único engenheiro, e não se tratou de uma ação simples de “um clique”. Tudo envolveu um processo de ataque mais complexo. Nossa investigação não atribuiu responsabilidade a nenhum indivíduo. Até o momento, não encontramos nenhuma evidência de vazamento da chave privada da carteira.”
Em paralelo, a co-CEO Yi He expressou gratidão a parceiros como Tether e Circle pelo bloqueio de aproximadamente US$ 2,4 bilhões, além do apoio da World Liberty Financial e o monitoramento da Coinbase. “Segurança em primeiro lugar: os saques estão temporariamente suspensos até que se confirme a segurança do ambiente”, declarou. O abalo repercutiu imediatamente no mercado financeiro descentralizado, provocando quedas superiores a 4% no preço do Bitcoin e desvalorização expressiva em outras moedas como Ethereum e Solana.








