A Polícia Civil de Mato Grosso abriu um inquérito na Delegacia de Lucas do Rio Verde para investigar mensagens compartilhadas em grupos do WhatsApp que incitavam boicotes a empresas ligadas a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Articulação em grupos de mensagens
As conversas, registradas em capturas de tela atribuídas aos grupos “Engenheiros e Arquitetos” e “Movimento Direita LRV”, também continham articulações para impedir a chegada de ônibus com trabalhadores de outros estados ao território mato-grossense. O material mostrava incentivo à criação de listas de comerciantes identificados com a esquerda e restrições ao turismo no Nordeste. Em uma das conversas, um participante escreveu “só na bala agora”.
Em registros posteriores, administradores do grupo “Movimento Direita LRV” começaram a remover participantes. Em uma das mensagens, um integrante afirma que havia “muita gente infiltrada” e propõe apagar o grupo. Em outra, um administrador informa que a reunião prevista havia sido cancelada. Os registros não confirmam se o grupo foi efetivamente excluída.
Ação policial e investigações
A apuração policial teve início após a repercussão do caso na imprensa e o acionamento da unidade pelo juiz eleitoral do município. Entre as hipóteses investigadas está a possível prática de induzir ou incitar discriminação por procedência nacional por meio digital, prevista no artigo 20, caput e § 2º, da Lei nº 7.716/1989. Uma equipe esteve no local indicado para o suposto boicote, mas o encontro não ocorreu. Até o momento, não há informações oficiais sobre suspeitos formalmente identificados.
Repercussão política e social
A direção estadual do Partido dos Trabalhadores (PT-MT) divulgou uma nota pública manifestando preocupação com relatos de boicotes comerciais, ameaças de demissão e discriminação contra eleitores de Lula e migrantes de outras regiões. A legenda cobrou ações do governo estadual, prefeituras, parlamentares e órgãos de Justiça para apurar as denúncias e proteger os trabalhadores.
O Centro de Tradições Nordestinas (CTN) de Lucas do Rio Verde também se movimentou. O presidente da entidade, Gleibson de Oliveira, afirmou que recebeu capturas de tela e relatos de hostilidade. O CTN reuniu documentos, buscou apoio do gabinete do deputado estadual Valdir Barranco (PT) e protocolou representações no Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e em um órgão chamado de “Ministério Público Municipal”.
A entidade ainda convocou a população para uma mobilização pacífica na Câmara Municipal de Lucas do Rio Verde para defender o respeito aos cidadãos de diferentes estados.
O Ministério Público do Trabalho (MPT-MT) não retornou aos contatos da reportagem até a última atualização. Já o MPMT informou que a Ouvidoria-Geral não registrou denúncias formais sobre listas de boicote político no estado, mas ressaltou que abusos, ameaças e discriminações podem ser investigados conforme a natureza dos fatos, sendo o MPT o destino indicado para casos de pressão sobre trabalhadores.








