O setor agrícola de Mato Grosso registrou um salto significativo no cronograma da safra 2026/27, atingindo 75,81% da área total destinada ao plantio de soja nesta sexta-feira (23/10). De acordo com os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), houve um incremento de 23,95 pontos percentuais no intervalo de apenas uma semana, impulsionado pela umidade favorável do solo, que permitiu o uso intensivo das máquinas em todo o estado.
Impactos na sucessão de culturas
A celeridade na semeadura da oleaginosa é vista com otimismo pelos produtores, pois abre espaço para que o plantio do milho de segunda safra ocorra dentro da janela considerada ideal. A antecipação da colheita da soja é um fator determinante para minimizar os riscos climáticos, especialmente em regiões onde a escassez de chuvas no primeiro semestre costuma comprometer o rendimento das lavouras de milho. Caso o ritmo atual seja mantido, o estado deve superar a marca de 80% de área plantada antes do encerramento de outubro.
Panorama regional e produtividade
O desempenho é heterogêneo entre as regiões. O Médio-Norte lidera o ranking com 96,60% de conclusão, seguido pelo Oeste, que atingiu 86,78%. No Sudeste, mesmo com um calendário historicamente mais tardio, a marca de 59,04% reflete um avanço considerável.
Apesar da eficiência operacional, as projeções para esta temporada são cautelosas. O Imea estima um rendimento médio de 64,82 sacas por hectare, o que representa uma queda de 2,02% frente ao ciclo anterior. A produção estadual está calculada em 50,89 milhões de toneladas, uma redução de 1,43%. A área cultivada, de 13,08 milhões de hectares, cresceu apenas 0,60%, configurando a menor expansão já registrada na série histórica devido à cautela financeira dos produtores.
Custos de produção em alta
O cenário econômico da safra 2026/27 impõe desafios extras, com um encarecimento das despesas nas propriedades. O custo total por hectare subiu para R$ 8.210,31, um aumento de 6,96% em relação à temporada passada.
Detalhamento das despesas
O levantamento aponta que o aumento foi puxado principalmente pelos gastos com operações mecanizadas, que subiram 23,85%, e pela alta de 10,10% nos defensivos agrícolas. Em um movimento contrário, o preço das sementes registrou queda de 21,96%, aliviando parcialmente o orçamento. O custeio direto da lavoura atingiu R$ 4.324,87 por hectare, um acréscimo de 3,43%.
Com base na produtividade projetada, o custo total equivale a cerca de R$ 126,66 por saca. Contudo, o sucesso financeiro final dependerá da regularidade climática nos próximos meses e da capacidade de gestão de cada produtor frente aos custos e à comercialização.








