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Escritório de Wanderley teria câmera escondida usada para chantagear vereadores, aponta relatório do Gaeco

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Escritório de Wanderley teria câmera escondida usada para chantagear vereadores, aponta relatório do Gaeco

Um escritório atribuído ao vereador Wanderley Cerqueira teria sido preparado com uma câmera escondida para gravar parlamentares que aceitassem propostas de dinheiro em troca de apoio político. As gravações, segundo relato analisado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), teriam sido usadas posteriormente para constranger vereadores e garantir votos para a reeleição do parlamentar à presidência da Câmara de Várzea Grande.

De acordo com o relatório de inteligência do Gaeco, o denunciante afirmou que o ambiente era preparado com grandes quantias em dinheiro e uma câmera espiã clandestina escondida na sala. Os vereadores que aceitassem as propostas seriam filmados durante os encontros.

A suspeita investigada é que o material audiovisual teria se transformado em instrumento de pressão sobre parlamentares que cogitassem romper com o grupo político ou votar contra Wanderley. A estratégia teria sido utilizada na disputa pela reeleição à Mesa Diretora, antecipada para maio de 2026.

Conforme já noticiado, a suposta chantagem não teria se limitado às gravações. Conforme o mesmo relato, vereadores também teriam sido levados a ssinar cartas de renúncia ao mandato durante uma reunião realizada na virada de 2024 para 2025, em uma chácara atribuída ao vereador Miguel Júnior, na região do Distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá.

Segundo a denúncia, os documentos seriam uma espécie de garantia de fidelidade política e de apoio à eleição de Wanderley para o comando da Câmara no biênio 2025/2026. Posteriormente, as cartas e os vídeos teriam sido usados para pressionar os parlamentares a manter o apoio na disputa pela recondução à presidência.

O relatório não comprova, por si só, que todos os vereadores citados tenham aceitado dinheiro, nem que o conjunto de gravações tenha sido recuperado ou periciado integralmente. As informações fazem parte dos elementos reunidos na investigação.

O documento também menciona um suposto acervo de vídeos que, de acordo com o denunciante, registraria vereadores recebendo valores relacionados a pagamentos indevidos chamados de “mensalinho”. A existência desse material teria sido mencionada pelo vereador Kleberton Feitoza, apontado no relato como aliado de Wanderley.

Ainda conforme o relatório, Kleberton teria usado gravações para pressionar parlamentares que não pretendiam apoiar a reeleição de Wanderley. Entre os episódios citados está o da vereadora Rosi Prado, que registrou boletim de ocorrência relatando ter sido ameaçada com a divulgação de vídeos e outras informações consideradas comprometedoras.

O registro policial confirma que a vereadora formalizou a denúncia, mas não comprova automaticamente a veracidade de todas as acusações. A investigação também menciona a possibilidade de parte das gravações estar armazenada em um equipamento eletrônico pertencente a Lorineide Aparecida Trindade Inhan, secretária da Câmara Municipal descrita no relato como pessoa de confiança de Wanderley.

O relatório cita ainda a residência da mãe de Wanderley como um dos locais onde, segundo o denunciante, ocorreriam entregas de dinheiro a vereadores. Outra gravação mencionada na investigação, envolvendo o vereador Rogerinho Dakar, teria sido identificada como registrada nesse imóvel.

Embora o material mencione o escritório de Wanderley como o ambiente onde a câmera escondida teria sido instalada, os relatos sobre os diferentes locais precisam ser tratados separadamente. O documento não confirma que todas as gravações tenham sido feitas na residência da mãe do vereador.

As informações integram a investigação da Operação Cathedra Venalis, que apura suspeitas de pagamento de vantagens indevidas e uso de mecanismos de pressão política para manter apoio ao comando da Câmara de Várzea Grande.

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