A cantora americana Cassidy D’Leesa Dzoole, mais conhecida como D’Leesa, tem chamado atenção mundial ao adotar uma estética totalmente artesanal em sua carreira. Aos 21 anos, a jovem natural de Atlanta, na Geórgia, assume todas as etapas de seu trabalho: compõe, canta, produz, faz a mixagem e ainda dirige seus próprios videoclipes, consolidando-se como um dos maiores fenômenos orgânicos recentes da internet.
O início no carro da família e a guinada na carreira
Sem grandes investimentos financeiros em produções mirabolantes, a artista conquistou admiradores em diversos territórios, incluindo o Brasil. A relação com a música começou na infância, aos 6 anos, mas sofreu uma interrupção durante a adolescência devido a cobranças externas.
“Durante a adolescência, fui pressionada a seguir a carreira de STEM [Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática], então parei de fazer música. Depois que me formei no ensino médio, em 2023, me senti com mais liberdade para explorar meus interesses”, diz a cantora.
Os primeiros passos da nova fase foram dados de forma improvisada. Em entrevista, ela revelou que gravava os vocais iniciais dentro do automóvel da mãe, utilizando apenas o microfone de um fone de ouvido comum e organizando as faixas no aplicativo GarageBand. Um microfone profissional só foi adquirido em 2025, ano em que intensificou a divulgação nas redes sociais.
“Eu filmava vídeos no meu quarto e postava no TikTok, no YouTube e no Instagram quase todo dia. Isso me ajudou muito a encontrar um público”, relatou a compositora.
O sucesso nas redes e o soul sáfico suave
Definido pela própria autora como “soul sáfico suave”, o som de D’Leesa traz melodias etéreas e dançantes que abordam o amor entre mulheres. Além de cuidar da parte audiovisual, ela mesma desenvolveu um site próprio para comercializar produtos e faixas personalizadas.
“Tudo o que lanço atualmente é desenvolvido por mim”, explica.
O ponto de virada aconteceu em outubro de 2025, quando uma postagem com a faixa “Higher” disparou nas plataformas.
“Foi numa noite, em 2025. O vídeo estava ganhando milhares de visualizações e seguidores por minuto, e dias depois fui colocada na playlist Fresh Finds, do Spotify. Foi aí que pensei: ‘Uau, as pessoas gostam das minhas músicas’”, contou.
O impacto digital transformou sua realidade financeira rapidamente.
“Chegou a um ponto em que a música é uma fonte real de renda para mim, e consegui sustentar partes da vida com streaming, vendas diretas, shows e outras oportunidades ligadas ao meu trabalho. Ainda estou transformando isso em algo totalmente sustentável a longo prazo, mas deixou de ser um sonho e virou algo tangível, que me sustenta financeiramente”, avalia.
Estreia nos palcos brasileiros
O sucesso na internet abriu portas para sua primeira turnê internacional, tendo o Brasil como um dos principais destinos. Dados de plataformas de streaming mostram que o país abriga a sua segunda maior base de ouvintes no mundo.
“Percebi que tinha fãs brasileiros quando chequei as estatísticas no Spotify for Artists e vi que o Brasil era meu segundo país com mais ouvintes. Acho que minhas redes sociais me permitem ter um público internacional, e sou muito grata por isso”, comemora.
A artista tem passagens confirmadas por São Paulo, no festival Batekoo, no dia 14 de novembro, e em Recife, no No Ar Coquetel Molotov, em 28 de novembro. Para garantir uma boa performance na estreia ao vivo, a rotina de ensaios foi intensificada.
“Essa é minha primeira turnê e estou muito animada para conhecer meus ouvintes. Estou me preparando fazendo exercícios e cantando ao mesmo tempo. Também ensaio o show como se estivesse no palco”, detalha.
Questionada sobre o que o público nacional pode aguardar de suas apresentações, a resposta é direta:
“Espero uma festa: uma celebração da música, da expressão queer e do amor.”








