O mercado brasileiro de soja encerrou a última sexta-feira (16) com um cenário de estagnação, marcado pela escassez de negócios e recuo nos preços em diversas regiões. Enquanto os produtores rurais mantêm o foco total nas atividades de campo, a falta de liquidez afeta tanto o grão disponível quanto a comercialização da safra futura.
Divergência entre oferta e demanda
A dificuldade em consolidar novas vendas reflete o impasse entre as expectativas de preços dos agricultores e a disposição de pagamento dos compradores. Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, explica que, embora tenha havido uma tentativa de aproximação, o hiato entre as partes permanece relevante. “O produtor até ajustou um pouco o spread, mas não cedeu muito. As pedidas ainda estão acima da conta do comprador”, observa Silveira.
Pressão externa e o cenário em Chicago
No cenário internacional, a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) registrou a quinta queda consecutiva, alcançando o menor nível das últimas sete semanas. O principal fator de pressão é o avanço da colheita nos Estados Unidos, país que projeta colher a maior safra de sua história. Nem mesmo o anúncio de novas vendas da oleaginosa para a China foi capaz de sustentar as cotações, que seguem sob forte pressão vendedora.
Impacto nos preços internos
A combinação entre a queda nos contratos futuros e a desvalorização do dólar pressionou o valor da saca de 60 quilos no Brasil. Confira os preços registrados nas principais praças:
- Passo Fundo (RS): R$ 146,50
- Santa Rosa (RS): R$ 147,00
- Cascavel (PR): R$ 144,00
- Rondonópolis (MT): R$ 141,00
- Dourados (MS): R$ 140,50
- Rio Verde (GO): R$ 139,00
- Paranaguá (PR): R$ 155,00
- Rio Grande (RS): R$ 155,50
Avanço do plantio e safra recorde
Do lado da produção, as notícias são otimistas. O plantio da safra 2026/27 alcançou 29,5% da área projetada até o dia 16 de outubro, superando a média histórica de 27% para este período. Com condições climáticas favoráveis, o setor trabalha com a expectativa de uma produção recorde, que pode ultrapassar a marca de 180 milhões de toneladas, consolidando um desempenho robusto para a temporada brasileira.








