A balança comercial brasileira encerrou o mês de setembro com um saldo positivo de US$ 7,74 bilhões. O desempenho representa um avanço expressivo, superando em mais de duas vezes o resultado registrado em setembro de 2025, quando o superávit foi de US$ 3,14 bilhões. De acordo com os dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o cenário foi favorecido por um crescimento de 12,9% nas exportações totais.
Desempenho por setores e produtos
O impulso nas vendas externas teve como protagonista a indústria extrativa, que registrou US$ 9,44 bilhões em exportações, uma alta de 39,8%. O setor foi beneficiado diretamente pelo aumento na produção e pelos preços do petróleo, que subiram 24,7% devido ao impacto geopolítico da guerra no Oriente Médio. Além disso, o minério de cobre teve destaque com alta de 74,2%.
No campo da indústria de transformação, as vendas atingiram US$ 17,67 bilhões, com destaque para os farelos de soja e combustíveis. Já a agropecuária somou US$ 7 bilhões, com o café não torrado e a soja liderando as movimentações positivas.
Recorde na corrente de comércio
Um ponto de atenção foi a corrente de comércio, que totalizou US$ 61,09 bilhões. Este valor não apenas representa um crescimento de 8% na comparação anual, mas também configura o maior montante já registrado para o mês de setembro na série histórica do setor. O volume só não superou o recorde absoluto de junho de 2026, quando a corrente alcançou US$ 61,99 bilhões.
Dinâmica das importações e investimentos
Enquanto as exportações subiram, o volume de importações apresentou um recuo de 2,4%. O dado chama a atenção para o segmento de bens de capital, que registrou queda de 29,8%. Analistas apontam que a desaceleração econômica, potencializada pelos juros elevados, tem inibido os investimentos da indústria nacional na compra de novas máquinas e equipamentos.
Projeções e expectativas
Apesar do resultado robusto em setembro, o governo ajustou suas previsões para o fechamento de 2026. A estimativa de superávit foi revisada de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Mesmo com a redução, o saldo anual projetado ainda se posiciona como o segundo maior da série histórica, ficando atrás apenas do recorde estabelecido em 2023, de US$ 98,8 bilhões. As projeções do Mdic seguem, contudo, mais otimistas do que as estimativas de mercado consolidadas pelo boletim Focus, que preveem um saldo de US$ 78,3 bilhões para o ano.








