O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria ordenado um ataque hacker para apagar informações de seu celular apreendido pela Polícia Federal (PF). A tentativa ocorreu em janeiro de 2026, quando ele cumpria prisão domiciliar em São Paulo, e tinha como objetivo impedir que investigadores acessassem dados relacionados às suspeitas de irregularidades envolvendo o banco.
Operação de invasão digital As informações foram reveladas pela revista Piauí, na quinta-feira (8), e confirmadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Segundo a apuração, Vorcaro teria solicitado ao publicitário Thiago Miranda, apontado como seu intermediário, que organizasse a invasão de sua conta no iCloud, serviço de armazenamento de dados da Apple.
Na ocasião, a Polícia Federal já estava com o aparelho havia aproximadamente dois meses, após a apreensão realizada durante a Operação Compliance Zero. Além dos próprios dados, Vorcaro teria determinado a exclusão de informações vinculadas ao celular de seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado nas investigações como operador financeiro ligado ao Banco Master.
Intervenção da Polícia Federal De acordo com a reportagem, Thiago Miranda teria procurado o especialista em segurança digital Thiago Santos para executar a operação.
O plano consistia em acessar remotamente as contas de armazenamento e eliminar arquivos antes que os investigadores concluíssem a análise dos dispositivos apreendidos. Santos chegou a acessar a conta do iCloud de Vorcaro, mas a movimentação foi identificada pela Polícia Federal, que conseguiu interromper a ação e preservar as informações.
Monitoramento e remoção de conteúdo A tentativa não teve o resultado esperado. Conversas extraídas do celular do empresário foram posteriormente incluídas em relatórios da investigação.
As investigações apontam ainda que Vorcaro teria solicitado a Thiago Miranda outras ações destinadas a monitorar pessoas e retirar conteúdos considerados prejudiciais à sua imagem. Entre os alvos estavam reportagens publicadas por veículos de comunicação dos Estados Unidos, além de um policial federal e um diretor do Banco Central.
Conforme a apuração, o grupo também teria produzido relatórios sobre pessoas ligadas às investigações envolvendo o Banco Master. Thiago Miranda foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal em julho, sob suspeita de atuar na obtenção de informações sigilosas e em ações contra desafetos do empresário.








