Com uma margem apertada separando os candidatos no primeiro turno, as equipes de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) intensificaram a caça por votos adicionais para o pleito marcado para o dia 25 de outubro. A diferença entre os dois finalistas foi de apenas 1,87 ponto percentual, impulsionando a busca estratégica pelo endosso de lideranças políticas, derrotados na corrida ao Planalto e, principalmente, de governadores eleitos ou que disputam o segundo turno.
O cenário nos estados e os palanques regionais
O mapa político brasileiro registrou um recorde desde a redemocratização com 20 governadores definidos logo no primeiro turno, sendo cinco do PL e três do PT. O número pode subir para 21 caso o Tribunal Superior Eleitoral confirme a anulação dos votos de Garotinho no Rio de Janeiro, garantindo a vitória de Douglas Ruas (PL) sobre Eduardo Paes (PSD).
Enquanto isso, sete unidades da federação ainda definirão seus chefes do executivo estadual no segundo turno. Flávio Bolsonaro possui vantagem numérica nos palanques, com aliados concorrendo em cinco estados (Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo e Rio de Janeiro). O atual presidente conta com candidaturas próprias em quatro locais (Amazonas, DF, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte). No Tocantins, o candidato do PL declarou apoio à Professora Dorinha (União) e aguarda retribuição.
O peso dos maiores colégios eleitorais
Em São Paulo, estado que concentra cerca de 20% do eleitorado, a articulação envolveu um encontro entre Flávio e o governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na visão do cientista político Bruno Rizzi, da Fatto Inteligência Política, a falta de uma disputa estadual no segundo turno traz prejuízos estratégicos para ambos os lados. “A ausência do segundo turno em São Paulo tem o mesmo impacto para Lula, pela ausência do palanque com Haddad. E para Tarcísio de Freitas, também fora do segundo turno, já eleito no primeiro turno, o impacto se dá diretamente para a figura de Flávio Bolsonaro, que também não terá o palanque para ser trabalhado”, afirma.
Na Bahia, reduto tradicionalmente favorável ao petismo, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito e Lula venceu no primeiro turno, embora tenha tido uma variação negativa em comparação ao pleito anterior. Rizzi aponta que “Lula conseguiu 4% a menos de votos do que ele próprio havia conseguido em 2022. Enquanto Flávio Bolsonaro conseguiu conquistar 4% a mais do que Jair, seu pai, havia conseguido. Apesar de uma larga vantagem construída e do favoritismo de Lula em manter grandes vantagens históricas nesse estado, é preciso que, em alguns estados-chave, haja um trabalho ainda maior para que a sua campanha consiga capturar e roubar votos de Flávio Bolsonaro”.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o cenário sofreu uma inversão em relação a 2022. Cleitinho Azevedo (Republicanos) venceu para o governo estadual e Flávio superou Lula na disputa presidencial local. O especialista destaca a volatilidade do eleitor mineiro: “No primeiro turno em 2022, Lula venceu o primeiro turno em Minas Gerais por cerca de 48% de votos a 43% de Jair Bolsonaro. Já esse ano, o jogo inverteu e Flávio venceu Lula pelos 48% contra 43%. A campanha do petista enxerga que é possível buscar e reverter ao menos o resultado que obteve em 2022”.
Estratégias das campanhas para a reta final
Além das alianças regionais, o apoio de figuras que ficaram de fora do segundo turno é monitorado de perto pelas equipes. Juntos, Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado somaram mais de 8,7 milhões de votos, superando a diferença de 2,2 milhões de votos entre os dois finalistas. Caiado e Michel Temer já declararam apoio a Flávio Bolsonaro, Romeu Zema optou pela oposição ao PT sem citar o senador, e Cury e Renan Santos mantiveram neutralidade.
No Planalto, ministros e aliados se reuniram para recalibrar a comunicação e absorver estratégias de estados com bom desempenho petista, como Ceará e Piauí. Do outro lado, a cúpula do PL manteve reuniões para estruturar as frentes de atuação de Flávio Bolsonaro e avaliar a expansão da participação de Pablo Marçal.
A definição da eleição também passa pelo desafio de convencer o eleitorado que optou pela abstenção, ultrapassando 33 milhões de pessoas, somadas aos quase 6 milhões de votos brancos e nulos registrados no primeiro turno.








