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Agro brasileiro enfrenta desafio climático com tecnologia

Setor agrário busca reduzir impactos ambientais e adaptar lavouras aos eventos extremos com financiamento e inovação.

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Adaptação às mudanças climáticas exige tecnologia e financiamento

A agropecuária brasileira respondeu por 29% das emissões brutas de gases de efeito estufa do país em 2024, acumulando a marca de aproximadamente 626 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Metas climáticas do Brasil Enquanto as emissões brutas nacionais despencaram 16,7% no período — impulsionadas principalmente pela retração do desmatamento —, os dados do setor agrário registraram um recuo bem mais modesto, de 0,7%. Esse ritmo desigual eleva o peso relativo das atividades agropecuárias nos compromissos firmados pelo país no Acordo de Paris, que estipula uma diminuição de 59% a 67% nas emissões líquidas até 2035 frente aos níveis de 2005.

Impactos e soluções no campo O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta que o aquecimento global acarreta sérios riscos para a agricultura, destacando alterações no regime pluviométrico, elevação das temperaturas e ocorrência de eventos climáticos extremos. Proteger as lavouras e os rebanhos exige aprimorar o manejo hídrico e do solo, diversificar sistemas produtivos e mitigar o estresse térmico nos animais para preservar a produtividade das terras.

Práticas sustentáveis disponíveis Para enfrentar esse cenário, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) disponibiliza inovações como a fixação biológica de nitrogênio, o plantio direto, a recuperação de pastagens degradadas e os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. Tais métodos integram o Plano Setorial para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (ABC+), embora sua difusão dependa fortemente de assistência técnica e crédito adequado.

Financiamento e mercados verdes Alternativas de captação de recursos ganham força com o mercado regulado de carbono, instituído pela Lei nº 15.042, de 2024, por meio do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Embora a produção primária não tenha obrigações diretas no sistema, há espaço para comercializar créditos mediante rigorosa mensuração de resultados e cumprimento de exigências metodológicas.

Perspectivas para o produtor rural Outro importante instrumento de incentivo é o pagamento por serviços ambientais, regulamentado pelo Decreto nº 13.018, que bonifica ações de preservação hídrica e manejo sustentável. Para mitigar riscos e otimizar investimentos, recomenda-se que os agricultores unam planejamento estratégico, suporte técnico especializado e consultas constantes ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

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