A trajetória de Diego Campos Vilela demonstra como é possível recomeçar a carreira no campo. Criado na zona rural de Cássia, no interior de Minas Gerais, ele chegou a se formar em Farmácia e atuar no setor urbano, mas decidiu retornar às suas raízes para comandar uma granja avícola que agora se prepara para ultrapassar a marca de 200 mil frangos alojados.
As origens e o legado familiar no campo A ligação com a agricultura e a pecuária sempre esteve presente na vida de Diego, que viveu na propriedade dos pais até os 16 anos. “Eu não vou falar que nasci na roça, mas a minha vida inteira foi na roça. Desde pequenininho até os 16 anos, vivi no campo. Só saí para estudar e voltou. Minha raiz sempre foi no campo”, conta.
Após concluir a graduação em Uberaba e passar por estágios, ele voltou para a região devido a um problema de saúde da mãe e trabalhou em uma drogaria. Contudo, a necessidade de dar continuidade aos negócios da família falou mais alto. “Eu vi que não dava para conciliar as duas coisas. Meu pai já estava um pouco mais de idade, e eu tinha que dar sequência ao trabalho”, explica. A base familiar foi construída com muito esforço, valores que ele carrega até hoje. “Meu pai é uma pessoa muito honesta, de coração muito bom. Passou para a gente valores de família, respeito e a importância de não enganar outras pessoas. Às vezes, ele prefere perder alguma coisa a achar que está prejudicando alguém”, afirma. Sobre a mãe, complementa: “Tudo que foi construído foi meu pai junto com a minha mãe. Sempre tivemos esses valores de respeito e honestidade”, diz.
O desafio da avicultura e a modernização dos aviários O ingresso na avicultura ocorreu em 2012, no mesmo período em que construía sua casa e organizava o casamento com Andreia. “Foi uma turbulência, porque eu tinha saído da farmácia e fui para a roça sem saber se ia dar certo ou não. Já fazia oito anos que estava namorando e tinha que tomar uma atitude de casar”, relembra. Ele relata que a rotina era intensa: “Eu estava montando a granja, construindo a casa e marcando o casamento. Foi tudo praticamente na mesma época”, conta.
Atualmente, a estrutura passa por uma ampla reformulação. A capacidade de alojamento, que era de cerca de 90 mil aves, vai saltar para até 210 mil animais com a finalização dos novos pavilhões. Além disso, houve modernizações importantes, como a substituição das antigas fornalhas a lenha por campânulas a gás. O empreendedorismo da família é elogiado pelos profissionais que acompanham o local. “O principal diferencial da família Vilela é o empreendedorismo. Eles atuam em diversas áreas e estão sempre buscando trazer novas tecnologias para alcançar melhores resultados, proporcionar uma melhor ambiência e levar frangos de melhor qualidade para o abatedouro”, afirma o técnico responsável.
Tecnologia e eficiência alimentar no campo Apesar dos avanços tecnológicos, a experiência diária no manejo continua sendo indispensável. O monitoramento humano é vital para garantir o bem-estar dos animais. “A tecnologia por si só não garante um bom resultado. Para isso, precisamos de profissionais que sabiam trabalhar com ela. O Diego e os granjeiros precisam conhecer os equipamentos para que eles realmente tragam resultados”, detalha o especialista. Um dos colaboradores reforça a tese: “A gente aprende muita coisa. Você chega ao aviário e consegue perceber se o pintinho está passando frio ou se a ambiência está boa. Isso é muito importante durante o lote. Aí você consegue corrigir alguma coisa no painel”, relata. O técnico complementa: “Nada substitui o olhar humano. A tecnologia pode identificar a temperatura, mas a gente precisa observar o conforto térmico. Nem sempre o que aparece no painel corresponde exatamente à condição que o frango está sentindo naquele dia”, explica.
Esse cuidado rigoroso rendeu excelentes marcas à propriedade, como o segundo melhor índice de conversão alimentar do mês de fevereiro, atingindo 1,286. “Obtivemos juntos o segundo melhor resultado do mês de fevereiro em conversão alimentar, com 1,286. É um reconhecimento enorme do esforço tanto do Diego quanto dos granjeiros”, comemora o técnico.
Parcerias sólidas e foco na produção de alimentos O sucesso da granja também se apoia na forte relação de amizade construída com os colaboradores, como os irmãos Alex e Ednei. “Não vou falar que são meus funcionários. São meus amigos. Sempre me ajudam no que der e vier aqui na granja. Posso contar com eles”, destaca o produtor. Um dos trabalhadores retribui o carinho: “O Diego é como se fosse um irmão para mim. É um parceirão, não é patrão, é um amigo”, diz. A esposa Andreia e os três filhos também participam dessa rotina, transmitindo o amor pela natureza às novas gerações. “A gente sempre passa para os meninos a importância do campo. Não só para eles, mas para todos”, pontua ela.
Com uma visão empresarial consolidada, Diego enxerga a avicultura como uma missão essencial para a sociedade. “Hoje, a granja e qualquer produção rural precisam ser tratadas como uma empresa. A gente gera emprego, gera alimento e alcança o mundo”, ressalta. Para ele, o esforço diário é recompensado ao saber o destino final de seu trabalho. “A gente persiste porque sabe que lá na frente vai ver uma pessoa feliz com um alimento que você produziu. Às vezes, o produtor rural não é tão valorizado, mas é a vida do campo”, conclui. Sem arrependimentos por ter deixado a farmácia, o produtor resume sua escolha com convicção: “Valeu a pena, sim. Eu gosto do que faço”.









