Os custos do transporte rodoviário de grãos nos principais corredores logísticos brasileiros sofreram forte pressão em setembro, impulsionados pelo encarecimento dos combustíveis e pela intensa movimentação de insumos para o plantio da safra 2026/27.
Impacto operacional e custos anuais
Na variação anual, as tarifas de frete mantiveram uma trajetória inflacionada. Esse cenário reflete diretamente os custos operacionais, a disponibilidade regional de veículos e o volume histórico da produção brasileira de grãos no ciclo 2025/26, que resultou no aquecimento das exportações agrícolas.
No acumulado entre janeiro e setembro, os embarques de soja alcançaram 100,1 milhões de toneladas, superando em 6,69% o volume registrado no mesmo período de 2025. Em contrapartida, as exportações de milho somaram 19,6 milhões de toneladas nos primeiros nove meses do ano, registrando uma retração anual de 15,69%. O movimento reflete a maior oferta do cereal no mercado internacional e o crescimento do consumo interno, conforme o Boletim Logístico da Conab divulgado em outubro.
Comportamento dos fretes nas regiões produtoras
Em Mato Grosso, mesmo durante o período de entressafra, mais da metade das rotas registrou alta de até 6,3% nos fretes. O fenômeno está atrelado ao mercado do milho, impulsionado pela expressiva produção da segunda safra e pelo consumo interno estadual, que dobrou nos últimos cinco anos. Por outro lado, Mato Grosso do Sul viu os preços caírem até 11,9% no eixo entre São Gabriel do Oeste e o Porto de Paranaguá, ajudado pelo arrefecimento conjunto das tarifas de soja e milho.
No Centro-Oeste, Goiás oscilou entre quedas de 3,6% e altas de 27,2%, enquanto a chegada de adubos, fertilizantes e sementes aqueceu o fluxo voltado ao próximo plantio, com forte peso do diesel. Já no Distrito Federal, todas as rotas registraram alta mensal, com destaque para os trajetos com destino aos portos de Paranaguá (PR) e Imbituba (SC), que subiram 5% e 4,2%, respectivamente.
Cenário no Nordeste e Sul-Sudeste
Na Bahia, as cotações subiram mais de 3,5% na maioria dos trajetos, puxadas por Luís Eduardo Magalhães devido ao transporte de pluma de algodão e à importação de insumos. O Piauí registrou queda média de 5% em setembro frente a agosto, enquanto o Maranhão apresentou movimento limitado, com foco no transporte de subprodutos do etanol na região de Balsas.
No eixo Sul-Sudeste, São Paulo teve recuo de 7,65% no preço médio mensal do frete, reflexo da sazonalidade e do consumo interno aquecido. Em Minas Gerais, o encerramento da colheita de café e o início da soja direcionaram o foco para o transporte de insumos, gerando tendência de baixa nas rotas de exportação.
Balanço das exportações e importações
Durante setembro, o país exportou 5,2 milhões de toneladas de milho e 7,3 milhões de toneladas de soja. Os portos do Arco Norte lideraram o escoamento no acumulado de janeiro a setembro, concentrando 51,22% do milho e 38,66% da oleaginosa. O Porto de Santos respondeu por 27,57% do milho e 33,38% da soja, além de liderar o farelo de soja com 43,35%.
No setor de importações, as compras externas de fertilizantes somaram 28,4 milhões de toneladas até setembro de 2026, uma retração de cerca de 15,7% na comparação anual. O volume representa o menor patamar registrado desde 2022 para o período.








