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PIB do Brasil em 2026: CNI reduz projeção de crescimento para 1,6%

Revisão negativa reflete o impacto dos juros altos na indústria de transformação e no setor de serviços, aponta novo relatório.

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PIB brasileiro deve crescer 1,6% em 2026, projeta CNI

A estimativa de expansão do Produto Interno Bruto brasileiro para o ano de 2026 foi reduzida de 2% para 1,6%, conforme aponta o Informe Conjuntural do 3º Trimestre divulgado pela Confederação Nacional da Indústria. Essa revisão decorre, principalmente, de perspectivas menos animadoras para a indústria — com destaque para a de transformação — e para o segmento de serviços, cujos desempenhos desfavoráveis tendem a superar os resultados positivos da agropecuária e da indústria extrativa.

Impacto dos juros na economia O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sergio Telles, avalia que os setores com perspectivas de crescimento mais favoráveis são menos dependentes da demanda interna e, consequentemente, menos sensíveis à política monetária e às taxas de juros.

“Por outro lado, os setores mais dependentes, mais sensíveis aos juros — que é o caso da indústria de transformação, do comércio e dos serviços — têm um movimento contrário. Então, quem está mais dependente de mercado interno está sendo muito afetado por conta da taxa de juros”, explica.

Desaceleração industrial e desempenho multissetorial A indústria sentirá de maneira mais acentuada os reflexos da desaceleração, tendo sua projeção de alta minguada de 2% para 1,3%. O avanço estimado de 9,1% na indústria extrativa não será suficiente para cobrir o saldo desfavorável da transformação, cuja previsão de recuo permaneceu estacionada em 0,7%. Enquanto o setor extrativo se apoia no petróleo para anular o encarecimento dos fretes marítimos de minério, a transformação sofre com a demanda fraca, custos produtivos maiores, avanço de itens importados e condições financeiras desfavoráveis.

A construção civil manteve o patamar de 1,5% de alta, impulsionada por aportes em infraestrutura e pelo programa habitacional do governo. No campo dos serviços, o esgotamento das atividades e a perda de ritmo no comércio resultaram no corte da projeção de 1,9% para 1,6%. Em contrapartida, a agropecuária foi a única a registrar melhora, passando de 1,8% para 2,5% de alta, embalada pela segunda safra de milho.

Mercado de trabalho e inflação em alta Apesar do cenário adverso, o mercado de trabalho continuará dando suporte à demanda interna. A população ocupada deve avançar 1,2% e a taxa de desemprego pode recuar para 5% até o final do período. Com isso, a massa de rendimentos reais deve subir 4,6%, estimulando o consumo das famílias.

Em paralelo, o alívio nos preços visto entre junho e agosto não deve persistir. A entidade prevê que o IPCA encerre o ano acumulando alta de 5,15%, impulsionado por alimentos, combustíveis, energia e serviços. Como consequência, a taxa básica de juros deve fechar o ano em 13,25% ao ano.

“Juros a 13,25% ao fim do ano, dadas as expectativas de inflação 12 meses à frente, ainda representa uma taxa de juros real de 9%. Isso é quase o dobro da taxa neutra, que é de 5%, que não estimula um crescimento forte nem uma contração da economia. Portanto, 9% ainda desestimula fortemente o crescimento da economia. Por todo o desaquecimento do mercado interno, a taxa de juros deveria e poderia estar mais baixa sem que o Banco Central abrisse mão da convergência da inflação para a meta”, afirma Telles.

Crédito, comércio exterior e contas públicas As concessões de crédito total devem crescer 5,15%, com alta de 6,4% para empresas e 4% para as famílias. No comércio exterior, as exportações devem atingir US$ 386,7 bilhões, impulsionadas pelos preços das commodities, gerando um superávit comercial de US$ 77,3 bilhões.

No âmbito fiscal, a receita líquida federal deve subir 5,9%, mas o governo ainda deve registrar um déficit primário oficial de R$ 54,6 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB. Quando consideradas as exclusões de despesas como precatórios, a projeção oficial aponta para um superávit de R$ 12,6 bilhões.

“A expectativa da CNI para as contas públicas é muito ruim. Nós devemos ter, novamente, déficit primário, quando a gente vê o déficit real, sem fazer exclusões para fins de cumprimento da meta. Esse déficit, com uma taxa de juros muito elevada, deve fazer com que a dívida bruta suba mais de 5 pontos percentuais do PIB em apenas um ano, passando de 78,6% para 83,7%”, avalia o diretor da CNI.

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