Representantes de 21 estados se reuniram recentemente no Encontro Nacional de Gestores do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi). A iniciativa, promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com federações estaduais, debateu os rumos da próxima fase do projeto.
Transição e novos desafios O evento aconteceu durante a transição para a estruturação do ciclo seguinte da iniciativa. A etapa atual avança para a reta final, com prestação de contas programada para março de 2027. O principal desafio consiste em adaptar o suporte a negócios que evoluíram, adotaram novas tecnologias e exigem abordagens diferentes das iniciais.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, ressaltou a importância de atender às demandas atuais do setor produtivo.
“Precisamos compreender que, mesmo diante de tantas dificuldades, temos uma indústria que está crescendo. Há alguns anos, uma pequena empresa cearense do setor de sorvetes ingressou no Procompi. O negócio avançou e hoje é a maior fábrica do Nordeste e a quarta maior produtora de sorvetes do país. Essa empresa cresceu e agora precisa apoiar seus fornecedores para que cresçam juntos. Precisamos colocar nas prateleiras o que o mercado procura hoje e criar soluções novas para problemas novos”, pontuou.
A especialista de Política Industrial da CNI, Suzana Peixoto, apontou que a troca de experiências entre estados acelera a disseminação de boas práticas.
“Quando trazemos diversos gestores do Brasil todo contando sobre as experiências com o trabalho de diferentes setores, com características bem peculiares, podemos aprender e trazer essas inovações para a nossa indústria, para a nossa cidade. Podemos fazer a gestão do conhecimento e encurtar cada vez mais o caminho dos nossos aprendizados”, afirmou.
Desde sua criação nos anos 2000, o programa aplicou cerca de R$ 104 milhões em aproximadamente 8,9 mil empresas.
Estratégia local e integração institucional A próxima etapa do Procompi planeja unir diretrizes federais a diagnósticos regionais por meio de planos setoriais e territoriais. O objetivo é mapear prioridades tecnológicas e direcionar o apoio aos principais obstáculos locais.
O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, defendeu uma atuação integrada e versátil com outras entidades do setor.
“Precisamos de uma atuação versátil o suficiente para acolher as demandas reais trazidas pelos sindicatos e territórios, conectando essas necessidades locais a um portfólio integrado com as forças do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), do Sebrae e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL)”, destacou.
Aliança com o movimento Juntos pela Indústria A nova fase ocorrerá em harmonia com o movimento Juntos pela Indústria, parceria estratégica focada na competitividade empresarial que abrange produtividade, transformação digital, inovação, sustentabilidade, desenvolvimento humano, acesso a mercados e ambiente de negócios.
Para Fábio Krieger, do Sebrae Nacional, a força do programa está na personalização do atendimento.
“O Procompi precisa ser reforçado nas necessidades específicas, nos fatores críticos e nos gargalos de cada cadeia produtiva, sindicato e território, em vez de focar apenas em frentes nacionais e comuns onde já temos programas estruturados”, ressaltou.
Resultados práticos em setores estratégicos Durante o evento, foram apresentadas iniciativas bem-sucedidas em digitalização, gestão e sustentabilidade. No setor alimentício, André Siqueira apresentou a plataforma Conecta Alimentos.
“Com o apoio do Procompi, criamos uma plataforma simplificada e eficiente que funciona como vitrine digital e aproxima as micro, pequenas e médias empresas de novas oportunidades de negócios”, explicou.
Outro destaque veio do SindRoupas e da FIEC, representados por Paulo Rabelo Pinheiro, com projetos de inovação envolvendo diretamente os funcionários das fábricas, resultando em melhorias operacionais e recuperação financeira de empresas. Além disso, práticas de governança e ESG foram debatidas por Dani Tavares, da We Seed.
“O Procompi trouxe esse chão de estruturas, sobretudo na perspectiva do ESG”, afirmou.
Inovação e sustentabilidade na indústria têxtil A programação incluiu uma visita técnica à fábrica da Benatêxtil, em Fortaleza, onde os participantes observaram tecnologias voltadas à redução do consumo de água e de produtos químicos na produção de jeans. Uma das inovações reduziu o uso de água em 83% em uma etapa específica através do tratamento com espuma, fazendo o consumo cair de 1.800 litros para 300 litros por carga de 60 quilos. A empresa também emprega laser e ozônio para substituir químicos, além de buscar alternativas energéticas para diminuir a dependência de lenha.
O encontro reforçou o compromisso contínuo com a eficiência produtiva, a inovação tecnológica e o uso sustentável dos recursos naturais no ecossistema industrial brasileiro.








