O Cemitério Campo da Esperança, na capital federal, recebeu grande movimentação de visitantes neste feriado de 2 de novembro, com pessoas prestando homenagens a entes queridos por meio de limpeza de túmulos e entrega de flores.
Histórias de saudade na ala antiga
Gorete Nascimento, de 71 anos, saiu bem cedo de sua residência em Cidade Ocidental, no Goiás, para manter uma tradição mantida há mais de três décadas na unidade brasiliense.
Carregando arranjos florais e materiais de higienização para garantir que o mármore da sepultura estivesse impecável, ela compartilhou recordações de seus pais e de três irmãs sepultadas no local.
“Venho aqui sempre no dia de finados e também no aniversário de cada um porque sinto muita saudade deles. E para homenagear minha irmã, que também nunca deixava de vir aqui nessa data”, explicou.
Diferentes alas e reflexões sobre a vida
Enquanto a região onde a família de Gorete repousa apresenta construções tradicionais e variadas, a setorização mais recente do espaço possui normas rígidas que limitam os jazigos a placas modestas com identificação, imagem e suporte para velas.
A aposentada Neusa Maria Nora esteve no local para prestar homenagens aos sogros sepultados nessa nova seção e refletiu sobre a finitude humana após momentos de oração.
“Eu gosto de vir aqui e me lembrar que rico ou pobre, todos vamos terminar no mesmo lugar. Acho que as pessoas deveriam vir mais ao cemitério”, disse.
Outros visitantes também aproveitaram a data para cultuar a memória de familiares, como Marcelo Oliveira, que compareceu acompanhado da mãe e da irmã para deixar flores para o patriarca.
“Ele nunca vem, diz que não consegue, fica muito emocionado”, explicou.
Origem histórica e oficialização da data
Importada pelos colonizadores portugueses de fé católica, a prática de rogar pelos falecidos remonta ao final do século X, tendo sido instituída em solo europeu pelo monge Odilo de Cluny.
Embora tenha raízes no catolicismo, o período também é marcado por preces e rituais de religiões protestantes e de matriz africana, como umbanda e candomblé, dedicados ao culto aos ancestrais.
O reconhecimento oficial da data como feriado em território nacional ocorreu apenas em dezembro de 2002, por intermédio de legislação proposta pela ex-parlamentar Vanessa Grazziotin.









